O relatório Global Burden of Disease 2023, publicado recentemente na revista científica The Lancet, mostra que, desde 2010, houve reduções significativas no impacto de doenças infeciosas, maternas, neonatais e nutricionais nas taxas de mortalidade e incapacidade.
Contudo surgem novos desafios. O aumento expressivo da carga de doenças crônicas não transmissíveis (DCNT) e transtornos psicológicos é o principal deles.
Considerando a elevação da expectativa de vida global, pressionando sistemas de saúde, governos precisam direcionar atenção para as DCNT, que surgem ou se intensificam com o avançar da idade e muitas vezes exigem tratamento por toda a vida.
De 2010 a 2023, o número global de anos de vida saudável perdidos devido a incapacitação ou morte por causa de doenças crônicas não transmissíveis passou de 1,45 bilhão para 1,8 bilhão.
Cardiopatia isquêmica, acidente vascular cerebral (AVC) e diabetes foram as condições que mais contribuíram para a alta. Transtornos depressivos e de ansiedade e diabetes foram as doenças que apresentaram crescimento mais acelerado no período.
Globalmente, os casos de ansiedade e depressão subiram respectivamente 70% e 30% desde 2010, com piora preocupante na faixa etária entre 15 e 19 anos. Ademais, verificou-se expansão nas mortes causadas por suicídio, overdose de drogas e álcool entre jovens adultos (20 a 39 anos) nas Américas do Norte e Latina.
Não há dados sobre o Brasil no relatório, mas, segundo o Ministério da Saúde, de 2016 a 2021 a taxa de suicídios na faixa de 15 a 19 anos cresceu 49,3% —ante alta de 17,8% na população total. Já o Datafolha mostrou que 8 em cada 10 pessoas entre 15 e 29 anos haviam apresentado recentemente algum problema de depressão ou ansiedade em 2022.
O bullying online, o aumento do tempo de uso de telas e a pressão por aprovação em redes sociais podem produzir impactos psicológicos. Cuidado maior, por meio de protocolos, com crianças e adolescentes na atenção básica à saúde e ações de conscientização e de educação midiática nas escolas são medidas indicadas.
Com relação a DCNT, é preciso conter fatores de risco, como alta pressão arterial, glicemia, obesidade, sedentarismo e tabagismo.
Em 2023, 7 em cada 10 municípios brasileiros não mediram hemoglobina glicada e pressão arterial em ao menos 50% dos pacientes com essas condições. Dado o progressivo envelhecimento da população e orçamentos públicos deficitários, é necessário que o país dê mais atenção à prevenção.
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Fonte ==> Folha SP