O relatório semestral do Fundo Monetário Internacional (FMI) mostra um cenário global de riscos econômicos ainda em alta.
O ano de 2025 foi marcado pelo choque das tarifas comerciais americanas promovido por Donald Trump, que gerou um impulso inicial de consumo e investimentos para fugir da cobrança, sustentando o crescimento no primeiro semestre. Agora, há sinais de perda de ritmo, inflação persistente nos Estados Unidos, menos comércio e mais dívida pública.
O crescimento global manteve-se em torno de 3,5% anualizados na primeira metade do ano, graças a margens de lucro saudáveis, depreciação do dólar e ajustes de estoque. Mas sinais de queda do vigor surgem neste semestre.
As projeções indicam desaceleração gradual, sem recessão. A alta projetada do PIB global passa de 3,3% em 2024 para 3,2% em 2025 e 3,1% em 2026 —previsões superiores às de abril, devido a tarifas menores que as esperadas naquele mês, mas abaixo do que se calculava antes do choque.
As economias avançadas devem crescer, em média, 1,6% ao ano —os EUA devem manter expansão em torno de 2% anuais.
Nas emergentes, esperam-se altas de 4,2% em 2025 e 4% em 2026, com desaceleração concentrada na China (4,8% e 4,2%, respectivamente). Para o Brasil, o FMI projeta elevação de 2,4% e 1,9% no mesmo período, bem abaixo dos 3,4% observados em 2024.
A inflação deve recuar de 4,2% em 2025 para 3,7% em 2026, conforme se esgotem os repasses das tarifas, mas ainda há grande incerteza sobretudo nos EUA, o único dos grandes países a sofrer maior pressão de preços.
Há riscos baixistas, notadamente na área do comércio, já que o protecionismo pode trazer perdas no PIB global. Choques na oferta de trabalho por meio de restrições migratórias embotam o crescimento.
Fragilidades fiscal e financeiras, como correções em ações ligadas à inteligência artificial (IA), preocupam; pressão política sobre bancos centrais desancora expectativas inflacionárias.
Avanços em negociações podem reduzir tarifas, enquanto reformas estruturais e ganhos de produtividade com IA são capazes de superar custos da redução de empregos. Para isso, exige-se maior coordenação global, o que parece difícil no atual cenário.
No Brasil, o maior problema é o desequilíbrio das contas públicas, que eleva a dívida e mantém juros escorchantes. Infelizmente, não se espera esforço sério do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em promover ajustes a caminho de um ano eleitoral.
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Fonte ==> Folha SP