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Novo modelo de portfólio redefine investimentos institucionais | Finanças

Novo modelo de portfólio redefine investimentos institucionais | Finanças

No mundo tradicional dos fundos soberanos e de pensão, está em curso uma evolução que poderá redefinir a forma como trilhões de dólares são investidos.

Durante décadas, esses alocadores institucionais adotaram uma abordagem semelhante para gerenciar as vastas somas de dinheiro sob seu controle: diversificaram ao distribuir o dinheiro entre diferentes classes de ativos — por exemplo, 40% em ações, 40% em títulos de dívida e 20% em investimentos alternativos — e mantiveram essa estratégia, reequilibrando as carteiras de tempos em tempos quando as coisas saíam do controle.

Mas um número crescente de fundos desafia essa convenção ao adotar um método que abandona as divisões tradicionais por classes de ativos. Em vez disso, eles comparam investimentos tão distintos quanto, digamos, ações listadas e crédito privado, em busca da melhor opção para toda a carteira. Apelidada de “abordagem de portfólio total” (TPA, na sigla em inglês), a estratégia está ganhando força rapidamente — e, antes do final do mês, pode até se tornar o princípio orientador do maior fundo de pensão público dos Estados Unidos.

O CalPERS, o Sistema de Aposentadoria dos Funcionários Públicos da Califórnia, votará sobre a adoção da TPA na próxima semana. Um voto “sim” fará com que o fundo de US$ 587 bilhões se junte a um grupo crescente que já inclui instituições como o GIC, de Singapura, o Future Fund, da Austrália, e o CPP Investments, do Canadá.

Para muitos desses alocadores, adotar a TPA significará mudanças drásticas na cultura, governança e infraestrutura. Enquanto isso, há muitos céticos que veem pouco mais do que uma sigla chamativa. Mas, para seus defensores, a TPA é mais adequada do que o antigo modelo estático — conhecido como Alocação Estratégica de Ativos (SAA, em inglês) — para um mundo imprevisível, onde eventos como picos de inflação ou choques geopolíticos podem facilmente alterar as premissas de mercado.

“Sua SAA foi construída com mercados em equilíbrio”, disse Michael Wissell, diretor de investimentos do Healthcare of Ontario Pension Plan, um plano de pensão dos profissionais de saúde de Ontário, no Canadá, que administra cerca de US$ 88 bilhões e utiliza a TPA. “Nunca foi assim. Há sempre algo fora do equilíbrio. E quando se usa um modelo baseado em algo que simplesmente não é verdadeiro, você pode acabar tendo problemas.”

Nas reuniões do conselho do CalPERS em setembro, Stephen Gilmore, novo diretor de investimentos do fundo, explicou a justificativa para a mudança proposta.

“Com uma estratégia SAA, você tende a ter problemas com classes de ativos otimizando para si mesmas, o que pode levar a uma concentração não intencional ou a uma diversificação excessiva”, disse Gilmore. “Otimizar para uma grande variedade de classes de ativos diferentes e somar tudo é inferior a otimizar para o conjunto.”

No ideal platônico da TPA, o conselho confiaria à equipe de investimentos a tomada de decisões mais pontuais. Os funcionários compartilhariam livremente informações entre as equipes de diferentes classes de ativos e debateriam se deveriam apostar, por exemplo, em data centers por meio de ações listadas ou empréstimos privados. Os analistas quantitativos dissecariam as exposições a fatores tanto do capital público quanto do privado. Os benchmarks passivos que antes pairavam sobre todas as equipes de classes de ativos deixariam de existir.

Segundo a proposta do CalPERS, o fundo passará de 11 índices de referência de classes de ativos para um único “portfólio de referência”, composto por 75% de ações e 25% de títulos, com um orçamento de risco ativo de 400 pontos-base.



Fonte ==> Exame

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