Ousadia e inovação sem tirar os pés do chão. A partir desse equilíbrio, a Tutiplast, fundada em 1993, tornou-se referência em soluções de injeção plástica para diversos setores como automobilístico, linha branca, eletroeletrônico. Com unidades industriais em Manaus (AM) e João Pessoa (PB), obteve no ano passado faturamento de R$ 490 milhões, este ano deve atingir R$ 550 milhões e projeta chegar perto de R$ 700 milhões em 2026. Tem grandes planos em desenvolvimento com expansões, biodiversidade e bioeconomia.
A Tutiplast tem em sua carteira multinacionais e empresas nacionais. Estão entre eles, por exemplo, Honda, Samsung, LG, Tectoy, Visteon e Stellantis. Em Manaus, seu berço, conta com duas unidades fabris e dois centros de armazenamento ocupando, no total, 30.360 metros quadrados. No Amazonas tem 1.800 funcionários e opera com 150 máquinas injetoras.
Mariana Barella, CEO da companhia, diz que o processo de expansão começou há nove anos com a compra de uma empresa na Bahia que tinha como principal cliente a Ford. Depois de cinco anos a Ford deixou de produzir no Brasil e a Tutiplast, de olho na demanda da Stellantis, transferiu sua unidade baiana para João Pessoa. No pico da produção paraibana são 400 funcionários, com pequenas oscilações durante o ano, e 40 máquinas injetoras.
Segundo a executiva, este ano o Sudeste também entrou no radar. A empresa está em fase final de homologações e de prospecções para começar uma nova operação em Itupeva, interior de São Paulo. Nessa fase já foram deslocadas para o local oito máquinas com previsão de que a infraestrutura conte rapidamente com 20 equipamentos.
A companhia também tem aplicado recursos em tecnologia, automação, robótica e soluções com IoT (internet das coisas). A inovação, por sinal, é um dos desafios que Barella sempre teve em mente. Em Manaus, a empresa conta com os benefícios fiscais da Zona Franca mas, em sua avaliação, é preciso sair do “casulo” dos incentivos e ganhar mais competitividade.
No ano passado, a empresa investiu R$ 50 milhões e este ano aumentou o Capex para R$ 80 milhões. A previsão para 2026 é tentar voltar para um patamar próximo a R$ 50 milhões, mas esse valor ainda está sendo definido. Apesar de muitos projetos pela frente, a Tutiplast tem “horror a endividamento” como classifica Barella, e prefere dar passos seguros. Hoje, o endividamento está na faixa de 0,2% do Ebitda (Lucros Antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização) que, no ano, foi de 14% da receita.
Incomodada com o fato de o plástico ser um grande poluente, Barella começou a se movimentar há alguns anos para tentar mudar esse quadro. Fez parcerias com centros de pesquisa, universidade e pesquisadores ambientais para buscar soluções sustentáveis que possam substituir a resina de origem fóssil. Em 2024 a Tutiplast já comprava três toneladas de fibras vegetais de Lárea, município do Amazonas, provenientes do ouriço da castanha. Esse volume ainda é pequeno perto do que é processado pela companhia mas as comunidades rurais se organizam para aumentar a escala de produção.
No processo, Barella viu surgir uma nova oportunidade de negócios, a bioeconomia. “O mundo precisa achar alternativas e acredito que uma delas é a bioeconomia, é encontrar materiais sustentáveis e conectá-los com a indústria”, comenta. Em função disso, a Tutiplast criou uma nova empresa, a Nexa. A partir do próximo ano ela deverá oferecer compostos e resinas sustentáveis não apenas para as fábricas do grupo mas também para o mercado. O fato de ter como clientes empresas de vários setores econômicos, muitas que também buscam soluções sustentáveis, poderá ser uma vantagem competitiva para a nova companhia.
Fonte ==> Exame