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Ela não seguiu carreira. Seguiu o mundo.

Formada, fora do Brasil desde 2007 e com 58 países no currículo da vida, ela escolheu transformar a experiência de viver em sua maior autoridade, sem carreira formal e uma vida fora dos padrões, ela questiona o que realmente define sucesso, liberdade e realização.

Formada, curitibana e fora do Brasil desde 2007, ela nunca exerceu a profissão para a qual se preparou. Em vez disso, escolheu um caminho que foge completamente do roteiro tradicional: viver em constante movimento. Já são 58 países visitados, diferentes culturas absorvidas e uma vida construída longe de qualquer endereço fixo.

A mudança começou quando deixou Curitiba e se casou com um norte-americano. Desde então, o mundo se tornou casa e os aeroportos, rotina. Para muitos, a história parece um sonho. Para ela, foi uma escolha consciente, cheia de privilégios, sim, mas também de desafios pouco falados.

O luxo que não cabe na foto

A vida em viagem permanente pode parecer um cartão-postal em movimento, mas está longe de ser superficial. Ela não enumera destinos como troféus. Fala sobre pessoas. Sobre a delicadeza dos costumes que a ensinaram a pedir menos e observar mais. Sobre as fronteiras internas que atravessou sem precisar de passaporte.

“Dinheiro abre portas, mas não constrói pontes”, diz com naturalidade. As pontes vieram dos encontros improváveis, das conversas que começaram sem idioma comum e terminaram em compreensão mútua. Veio da coragem de ser estrangeira tantas vezes que acabou aprendendo a ser universal.

O trabalho de viver

Se sucesso é a soma das nossas escolhas mais honestas, ela é bem-sucedida. Talvez porque tenha entendido cedo que viver também é um ofício, ainda que não remunerado. Que a liberdade pode ser compartilhada, não apenas conquistada. Que um diploma pode ser um ponto de partida, mas nunca uma prisão de destino.

Hoje, seu lar é onde o avião pousa. Sua carreira é a experiência. Sua autoridade vem da vivência não da teoria, não da ostentação, não da validação externa. Vem da autenticidade rara de quem não coleciona países, coleciona mundo.

Quando o diploma não define o destino

A formação acadêmica sempre foi importante, mas nunca determinante. Em vez de seguir o mercado de trabalho, ela precisou lidar com algo ainda mais complexo: a própria identidade fora das definições sociais de sucesso.

“Existe uma cobrança silenciosa para que toda mulher produza, trabalhe, construa carreira. Quando você sai desse padrão, os julgamentos aparecem”, conta. Não trabalhar por opção, ainda mais sendo mulher provoca estranhamento, curiosidade e, muitas vezes, críticas.

Viver viajando não é férias eternas

Conhecer 58 países vai muito além de fotos bonitas. Envolve adaptação constante, solidão em alguns momentos, choque cultural e a necessidade de se reconstruir emocionalmente diversas vezes. “Viajar ensina a respeitar diferenças, a ouvir mais e a relativizar certezas”, diz.

Ao longo dos anos, ela aprendeu que dinheiro facilita o acesso, mas não garante experiências profundas. “O que transforma é o contato humano, as conversas inesperadas, os silêncios em lugares onde você não fala a língua.”

Liberdade, dependência e escolhas

Abrir mão do trabalho formal também exigiu maturidade emocional. Dependência financeira ainda é um tema sensível, especialmente quando associado à ideia de liberdade. Para ela, o ponto central sempre foi a consciência da escolha e não a submissão a um papel imposto.

“Liberdade não é fazer tudo sozinha. É poder escolher o tipo de vida que faz sentido para você”, afirma.

Uma vida que não cabe em um currículo

Entre culturas, fusos horários e aprendizados, ela construiu uma trajetória que não se mede por cargos ou salários, mas por vivência. Uma história que provoca reflexão sobre sucesso, felicidade e o peso das expectativas sociais. Nem toda vida precisa seguir o caminho tradicional. Algumas seguem o mundo e encontram sentido justamente fora das linhas retas.

E no fim, quando perguntam o que ela faz da vida, a resposta vem simples, quase poética:

“Eu vivo. E o mundo é meu trabalho.”

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