Empresária com atuação nos bastidores de ambientes empresariais e institucionais no Brasil e no exterior, Anna Lourensetti acompanha de perto uma transformação silenciosa no mundo dos negócios: o poder deixou de ser exclusivamente hierárquico e passou a se manifestar, cada vez mais, por meio da influência construída fora do organograma.
Em um cenário onde decisões estratégicas raramente acontecem apenas em reuniões formais, reputação, acesso e capacidade de articulação passaram a definir quem realmente influencia os rumos das empresas. Cargos continuam relevantes, mas já não garantem, por si só, participação efetiva nos espaços onde as escolhas mais sensíveis são feitas.
A ilusão do poder formal
Durante décadas, o modelo corporativo se organizou em torno de estruturas rígidas. Títulos elevados significavam autoridade, e o organograma indicava com clareza quem decidia. Esse modelo ainda sustenta a governança, mas perdeu força como explicação do poder real.
Na prática, muitas decisões são antecipadas fora dos canais oficiais. Elas surgem em conversas reservadas, relações de confiança e leituras estratégicas de contexto. O cargo, muitas vezes, apenas chancela algo que já foi alinhado previamente.
Onde o poder realmente circula
O poder contemporâneo circula em ambientes menos visíveis: ecossistemas empresariais restritos, fóruns de liderança, encontros recorrentes entre pares e espaços onde a credibilidade precede qualquer apresentação formal.
Nesses contextos, influência não se confunde com exposição. Ao contrário do que ocorre em ambientes públicos, quanto maior o nível de decisão, maior a discrição. A influência se manifesta pela capacidade de conectar interesses, antecipar riscos e sustentar confiança ao longo do tempo.
Influência como ativo estratégico
A experiência acumulada em ambientes empresariais, políticos e de comunicação permite observar um padrão claro: influência se tornou um ativo econômico. Ela reduz fricções, acelera negociações e amplia a margem de manobra de líderes e organizações.
Esse ativo é construído a partir de três elementos fundamentais:
- reputação consistente, baseada em coerência e previsibilidade;
- acesso qualificado, resultado de relações cultivadas com critério;
- capacidade de articulação, que transforma informação em decisão.
Sem esses elementos, o poder formal tende a se esvaziar.

A leitura de quem opera nos bastidores
Ao longo de sua atuação profissional, Anna Lourensetti transitou de forma contínua por ambientes onde decisões são tomadas antes de se tornarem públicas. Seja no preparo de lideranças para contextos de alta exposição, seja na interlocução entre empresários, marcas e instituições, a lógica observada é a mesma: quem entende os bastidores não depende apenas do cargo para influenciar.
Essa vivência reforça uma constatação recorrente: reputação não se constrói sob pressão, articulação não se improvisa e acesso não surge em momentos de crise.
O erro recorrente das lideranças
Muitos líderes ainda subestimam essa dinâmica. Apostam exclusivamente na autoridade formal e negligenciam o valor da influência construída fora do palco. O resultado costuma aparecer tarde demais, quando resistências internas, bloqueios externos ou crises de imagem já estão instalados.
Bastidores exigem tempo, constância e leitura estratégica. Ignorá-los é abrir mão de margem de decisão.
O poder mudou de lugar
O poder não desapareceu. Ele apenas mudou de lugar.
Saiu do centro exclusivo do organograma e passou a circular entre quem sabe ler cenários, sustentar confiança e articular interesses com discrição.
É nesse contexto que iniciativas voltadas ao diálogo entre líderes ganham relevância. Como CEO da CEO Magazine, que será lançada em breve, Anna Lourensetti integra um movimento editorial alinhado a essa realidade: menos espetáculo, mais substância; menos exposição vazia, mais conversa qualificada entre quem decide.
No ambiente atual, cargos ainda abrem portas. Mas é a influência construída nos bastidores que determina até onde se pode ir depois de atravessá-las.

Sobre a autora
Anna Lourensetti é empresária, apresentadora de TV e profissional de Relações Públicas, com atuação no Brasil e no exterior. Ao longo de mais de duas décadas, construiu experiência em comunicação estratégica, articulação institucional e preparação de lideranças para ambientes de alta exposição pública, incluindo a atuação política e empresarial. Atualmente, é CEO da CEO Magazine, publicação voltada a presidentes, conselheiros e líderes empresariais e também, trazendo vários projetos de Dubai como a revista Evoque Magazine. (Breve mais informações sobre essa revista de sucesso nos Emirados).