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Cavalos sentem o cheiro do medo em humanos, diz pesquisa – 21/01/2026 – Ciência

Close-up mostra o olho esquerdo e parte do rosto de um cavalo marrom com crina sobre a testa, fundo preto.

Cavalos percebem o cheiro associado ao medo nos seres humanos e, quando isso ocorre, eles ficam mais vigilantes. A sugestão é de um estudo que saiu no último dia 14 no periódico PLOS One.

“A primeira vez que coloquei o pé em uma cavalariça, me disseram: ‘Atenção, não tenha medo, os cavalos sentem o cheiro do seu medo'”, recorda Léa Lansade, diretora de pesquisa do Instituto Nacional Francês de Pesquisa para a Agricultura, Alimentação e Meio Ambiente.

“Mas isso é em sentido figurado ou literal? Parece que é em sentido literal”, diz a cientista, principal autora do estudo.

O olfato é provavelmente o sentido mais utilizado entre os animais para se comunicarem com seus semelhantes, sobretudo em situações de perigo.

“Sabemos que [os cavalos] conseguem decifrar nossas expressões faciais, reconhecer se estamos tristes, alegres ou irritados. Também são muito hábeis em reconhecer nossas vozes”, afirma à AFP Lansade, que estuda há uma década a percepção das emoções humanas por parte desses animais.

Para o experimento, houve a coleta de odores vinculados ao medo e à alegria em 30 adultos, sendo 8 homens e 22 mulheres. Pedaços de algodões foram colocados em suas axilas —alguns estudos já indicaram que o suor produzido por glândulas nessa região do corpo contém informações sobre o nosso estado emocional.

Os voluntários tiveram de seguir uma dieta específica e utilizar produtos de higiene fornecidos pelos pesquisadores. Dois dias antes da coleta das amostras, eles tiveram de parar de usar desodorante ou perfume.

Com o algodão sob suas axilas e uma camiseta limpa, eles assistiram em um dia a um trecho de 20 minutos do filme de terror “A Entidade” (2012) e, em outro, a um compilado com o mesmo período com diversas produções de humor, entre as quais um esquete da comediante francesa Florence Foresti.

Os voluntários indicaram em um questionário quais foram suas emoções e, também, se seguiram as instruções de dieta e higiene.

Em seguida, a pesquisadora e sua equipe realizaram, em colaboração com o Instituto Francês do Cavalo e da Equitação, uma série de testes com 43 éguas Welsh.

Contágio emocional

Foram colocadas focinheiras nos cavalos com as amostras extraídas de “medo”, de “alegria” ou sem uso, para servir como controle.

Depois, foram conduzidos dois testes para observar as interações do animal com um ser humano: se ele se aproximava de uma pessoa e como reagia durante a escovação.

Outros dois testes buscavam observar as reações do animal sem presença humana: quando um guarda-chuva era aberto repentinamente na sua frente e quando um objeto desconhecido era colocado em seu espaço.

Em todos os casos, os cavalos expostos a um odor de “medo” apresentavam sintomas de temor mais elevados.

Nos testes de interação, eles tocavam menos no humano. E, quando o guarda-chuva se abria, assustavam-se mais e também ficavam mais atentos ao objeto desconhecido.

Na avaliação de Lansade, o cheiro do medo humano “os coloca em um estado de alerta, de vigilância”, mesmo sem presença humana. “Há um contágio emocional, [embora] não saibamos se isso é adquirido por aprendizado após terem visto pessoas assustadas ou se é um comportamento inato.”

O cavalo é um animal que demora muito para ser domesticado, acrescenta ela. Todos os cavalos domésticos atuais descendem de uma única manada proveniente de uma região ao norte do Cáucaso, de acordo com ela. “Talvez esse grupo tivesse capacidades para reconhecer nossas emoções.”

Outra hipótese é a de que a comunicação química provavelmente surgiu cedo na história da evolução. Em humanos e equídeos, as moléculas ligadas ao odor do medo poderiam ser “bastante semelhantes”.

Segundo a pesquisadora, compreender melhor esses mecanismos é um elemento importante para o bem-estar equino, para a segurança e para a eficácia dos treinamentos.



Fonte ==> Folha SP – TEC

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