Um dos consultores da CBF sobre o tema, o economista César Grafietti, explica a escolha pelo novo nome. ”Quando se fala em Fair Play financeiro, logo surge a ideia de que os clubes vão ter o mesmo limite de gastos, independente do quanto arrecadem”, explica. Para os especialistas, a ideia de que um time que tem uma arrecadação na casa de R$ 1 Bilhão, não deve ter o limite de investimento limitado a mesma quantia do que um que arrecada R$ 200 milhões. ”O nome SSF, traz justamente essa ideia que o projeto busca. De um sistema que é equilibrado respeitando a realidade de cada equipe”, conclui.
Para alcançar esse equilíbrio, desde janeiro, algumas medidas de transição já estão valendo. Uma delas é o teto de gastos com o futebol. A partir de agora, os clubes não poderão comprometer mais do que 70% da receita com folha salarial e amortização de direitos econômicos de atletas, pagamento de parcela da compra de jogadores. As dívidas de curto prazo, aquelas que devem ser abatidas dentro do mesmo ano, passam a ser limitadas a até 45% da receita do ano anterior.
Para garantir que essas medidas sejam seguidas, a CBF criou um sistema onde os clubes terão que inserir todas as transações realizadasesses registros serão requisitos para que os atletas sejam inscritos no Boletim Informativo Diário. Também terão que preencher um relatório que será analisado em três janelas de monitoramento, no dia 31 de março, 31 de julho e 30 de novembro de cada temporada.
Outro ponto que é visto como preocupante é que as dívidas geradas antes de 2026, terão que ser quitadas até novembro deste ano. Essas medidas já são sentidas na dupla GreNal, o que pode explicar a dificuldade que o Inter, que tem uma situação mais complexa, tem tido de encontrar reforços nesse começo de temporada e a cautela que o Grêmio tem demonstrado nas contratações.
Grafietti explica que justamente essa dualidade entre rivais, como é o caso do Rio Grande do Sul e Minas Gerais, são as que têm mais riscos de produzirem instabilidade financeira. ‘’É possível observar nesses casos, que quando um dos lados investe alto, o outro fica pressionado a também fazer contratações de peso, independente da saúde financeira’’, para o economista essa realidade é uma receita para gerar dívidas impagáveis.
Fonte ==> Folha SP