Dados do telescópio James Webb e do Observatório de Raios-X Chandra, da Nasa, forneceram novas evidências de que o Universo se desenvolveu muito mais rapidamente do que se pensava.
Os dados mostram um aglomerado de galáxias emergente com pelo menos 66 galáxias e uma massa total equivalente a cerca de 20 trilhões de estrelas do tamanho do Sol.
Segundo pesquisadores, esse conjunto de galáxias data de aproximadamente um bilhão de anos após o evento do Big Bang que iniciou o Universo há cerca de 13,8 bilhões de anos.
Os achados foram descritos em artigo que saiu no último dia 28 na revista Nature.
Aglomerados de galáxias estão entre as maiores estruturas do Cosmos e acreditava-se que precisavam de muito mais tempo para se formarem no Universo primitivo —nossa Via Láctea, por exemplo, faz parte de um aglomerado de galáxias.
“Um aglomerado de galáxias é, como o nome sugere, um conjunto de galáxias, tipicamente de centenas a vários milhares. Essas galáxias estão incorporadas em um halo de gás quente aquecido a milhões de graus, e todo o sistema é mantido unido pela matéria escura”, disse o astrofísico Akos Bogdan, do Centro de Astrofísica Harvard e Smithsonian, autor principal do novo estudo.
A matéria escura, que não emite nem reflete luz, representa em torno de 85% da matéria do Universo. Os cientistas inferem a sua existência com base nos efeitos gravitacionais que ela exerce em grande escala, como a forma como os aglomerados de galáxias são mantidos unidos.
Avistar um aglomerado de galáxias nascente que estava começando a atingir a maturidade quando o Universo tinha aproximadamente 7% de sua idade atual foi uma surpresa para os cientistas.
Os autores da nova pesquisa disseram que a estrutura exibia todas as características de um aglomerado de galáxias maduro, como o halo de gás superaquecido e uma distribuição de brilho centralmente concentrada nas emissões de raios X.
De acordo com a maioria dos modelos, o Universo não deveria estar em um estado maduro o suficiente, com uma densidade adequada de galáxias, para que um aglomerado de galáxias emergente desse tamanho se formasse nesse momento inicial de sua história. Até agora, a estrutura similar mais antiga observada datava de aproximadamente três bilhões de anos após o Big Bang.
“Nossas descobertas fornecem evidências adicionais de um crescimento mais rápido da estrutura cósmica do que é previsto pelos modelos cosmológicos atuais”, afirmou o astrofísico e coautor do estudo Gerrit Schellenberger, do Centro de Astrofísica.
“Juntamente com as recentes descobertas do telescópio James Webb de galáxias inesperadamente luminosas no Universo primitivo, bem como buracos negros supermassivos já estabelecidos apenas 500 milhões de anos após o Big Bang, nossos resultados reforçam a ideia de que elementos-chave da nossa compreensão do Universo podem estar incompletos”, acrescentou o astrofísico.
Desde que se tornou operacional em 2022, um ano depois de ser lançado, o Webb revolucionou o entendimento do Universo primitivo, mostrando como certos aspectos começaram muito mais rapidamente do que se pensava antes.
As galáxias analisadas no novo estudo foram encontradas usando o Webb. Já a emissão de raios-X foi confirmada com o Observatório Chandra. “A combinação das observações do Chandra e do Webb proporciona uma janela excepcionalmente poderosa para o Universo primitivo, possibilitando descobertas transformadoras”, afirmou Schellenberger.
Fonte ==> Folha SP – TEC