Júpiter, sem dúvida, é o maior planeta do Sistema Solar. Mas não é tão grande quanto se pensava.
Usando novos dados obtidos pela sonda robótica Juno, da Nasa, pesquisadores chegaram às medições mais precisas do tamanho e da forma do planeta. Eles apresentaram os números em um artigo que saiu no último dia 2 na revista Nature Astronomy.
Esse é um passo importante para aprofundar o conhecimento sobre o gigante gasoso, incluindo o estudo de sua complexa estrutura interna.
As observações indicaram um diâmetro equatorial de 142.976 km, cerca de 8 km menor do que as medições anteriores indicavam. O diâmetro do polo norte ao polo sul, por sua vez, é de 133.684 km, em torno de 24 km menor do que se estimava anteriormente.
O planeta, assim como o nosso, não é uma esfera perfeita, mas sim um pouco achatado —e, com base nos novos dados, um pouco mais do que se sabia. Júpiter é cerca de 7% maior no equador do que nos polos. Para efeito de comparação, o equador da Terra é apenas 0,33% maior do que seu diâmetro nos polos.
As medições anteriores de Júpiter foram baseadas em dados coletados pelas sondas robóticas Voyager e Pioneer, da Nasa, no final da década de 1970.
A Juno, lançada em 2011, está em órbita de Júpiter desde 2016, transmitindo dados para a Terra. A Nasa estendeu a missão em 2021, dando aos cientistas a oportunidade de realizar o tipo de observações necessárias para refinar as medições de tamanho e forma do planeta, incluindo passar por trás dele do ponto de vista da Terra.
“Quando a Juno passou por trás de Júpiter da perspectiva da Terra, seu sinal de rádio atravessou a atmosfera do planeta antes de chegar à Terra”, disse o cientista planetário Eli Galanti, do Instituto Weizmann de Ciência em Israel, autor principal do novo estudo.
“Medir como o sinal mudou devido à composição atmosférica, densidade e temperatura de Júpiter nos permitiu sondar a atmosfera e determinar o tamanho e a forma do planeta com alta precisão. Curiosamente, essa configuração geométrica não ocorreu durante a missão principal da Juno, então esses experimentos não estavam originalmente planejados”, acrescentou o pesquisador.
A Terra, que é o terceiro planeta a partir do Sol entre os oito planetas do Sistema Solar, é um mundo rochoso relativamente pequeno.
Júpiter, o quinto a partir do Sol, é tão imenso que todos os outros planetas caberiam dentro dele. Ele é composto principalmente de hidrogênio e hélio, com traços de outros gases. Ventos fortes vistos como faixas e algumas tempestades dominam a aparência externa colorida jupiteriana.
A sonda Juno tem coletado dados sobre a atmosfera de Júpiter, sua estrutura interior, campo magnético interno e magnetosfera, a região ao redor do planeta criada por seu magnetismo interno.
Novas medições precisas de Júpiter são úteis para os cientistas porque seu raio —medida que corresponde à metade de seu diâmetro— é uma referência fundamental usada em modelos do interior do planeta e de sua estrutura atmosférica.
“Júpiter é o maior planeta do Sistema Solar e contém a maior parte de sua massa planetária, então entender sua composição e estrutura interna é fundamental para compreender como o Sistema Solar se formou e evoluiu. Ele provavelmente se formou cedo e influenciou fortemente a distribuição de material, o crescimento de outros planetas e a entrega de voláteis para o Sistema Solar interno, incluindo a Terra”, disse Galanti.
Voláteis são substâncias como água, dióxido de carbono e amônia que evaporam facilmente. A entrega dessas substâncias para o Sistema Solar interno, onde residem os quatro planetas rochosos, foi essencial porque os voláteis, segundo Galanti, “forneceram à Terra água e ingredientes fundamentais para sua atmosfera e para a vida”.
Fonte ==> Folha SP – TEC