O liquidante do Banco Master, a EFB Regimes Especiais de Empresas, está à procura de ativos de Daniel Vorcaro nos Estados Unidos. A companhia protocolou na Justiça americana 22 intimações para bancos, galerias de arte, lojas de luxo e empresas imobiliárias com o objetivo de localizar bens do banqueiro, mas a defesa de Vorcaro reagiu tentando bloquear essas ações.
Segundo informações do processo, a EFB emitiu intimações para Christie’s Inc; David Zwirner Gallery; Gagosian Gallery; Gary Nader & Company; Gary Nader Corporation; Hauser & Wirth Inc; Van de Weghe Ltd; Levy Gorvy Dayan; Mnuchin Gallery; Opera Gallery Holding; Opera Gallery Miami; Richard Gray Gallery; Ross Kramer Galleries; Ross Kramer Miami; Sotheby’s; The Pace Gallery; Flora Paramount Properties; Rafael Souza da Silva (London Foster Realty); Winter Park National Bank; Dean, Mead, Egerton, Bloodworth, Capouano & Bozarth; Erik Magno; e Sozo Real Estate.
A EFB pede os registros e comunicações dos últimos seis anos do Banco Master e “partes com ativos congelados”, o que inclui Vorcaro. Uma audiência deve ocorre no dia 4 de março, em Fort Lauderdale (Flórida).
Os advogados de Vorcaro dizem que a EFB está tentando se antecipar ao processo de liquidação no Brasil, onde não há nenhuma prova de que ele cometeu qualquer irregularidade (embora haja investigações) ou de que seus ativos pessoais se confundam com os ativos do Master. A defesa argumenta ainda que existe a possibilidade de a liquidação no Brasil ser revertida.
“Nenhuma autoridade competente determinou que o Sr. Vorcaro deva assumir qualquer responsabilidade pessoal por quaisquer das obrigações dos Devedores (o Banco Master). Nem o Banco Central iniciou um processo para determinar se o Sr. Vorcaro tem alguma responsabilidade pessoal, apesar de o Banco Central ter auditado repetidamente o Banco Master e o Sr. Vorcaro ao longo dos anos”, dizem os advogados.
Eles alegam que as intimações solicitadas pela EFB são “uma tentativa velada de assediar o sr. Vorcaro, violando sua privacidade sem qualquer suporte probatório de que seus bens e interações com as entidades intimadas relacionam-se com os Devedores”.
Em depoimento à Polícia Federal, no fim do ano passado, Vorcaro negou que tenha casas em Miami. Ele foi questionado pela delegada sobre os bens no exterior e explicou que o banco tinha uma holding lá fora.
“Eu não consigo me recordar de todas as contas que eu possuo. Eu possuo a holding do banco, que era proprietária do banco, nas Ilhas Cayman. Tinha sido estruturada lá. E algumas contas correntes. Não me recordo de outra coisa”, respondeu na ocasião. A delegada então pergunta especificamente se ele tem imóveis em Miami. “Não. Apesar de a mídia ter anunciado, não tenho. Tenho locação de um imóvel lá.”
No início do mês, a Justiça americana aprovou que a liquidação do Master seja reconhecida também nos EUA, inclusive com bloqueio de bens. Segundo relatos na imprensa, Vorcaro teria comprado uma mansão de US$ 85,2 milhões em Miami em janeiro do ano passado. A aquisição foi feita por meio de uma empresa usada nesse tipo de transação, chamada Goldbeach Properties, mas o site local The Real Deal, especializado em negócios imobiliários, revelou que Vorcaro estava por trás da compra.
Segundo noticiado pela agência Bloomberg, a EFB também pretende investigar empresas criadas por assessores de Vorcaro em Miami, inclusive a Salarly, que oferece empréstimos consignados.
Fonte ==> Exame