O olhar brasileiro foi e seguirá sendo essencial para criar uma consciência coletiva sobre nossas prioridades no relacionamento com este país asiático. Não nos faltam temas tão interessantes quanto urgentes a serem abordados pelos meus colegas brasileiros, muitos destes completamente ignorados pela mídia anglófona —ou alguém acha que o New York Times vai dedicar mais de duas linhas escrevendo sobre o impacto das cotas chinesas de importação de carne bovina nos preços domésticos no Brasil?
Nossos laços com a China são muito recentes, ainda estão na sua infância. Enquanto Pequim e Xangai eram invadidas por potências europeias ou pelos Estados Unidos, estávamos muito ocupados ainda tentando entender o que era o nosso próprio país para pensar em qualquer engajamento relevante com os chineses. Na ditadura, a China só se tornou uma opção (como aliás foi o caso de vários outros regimes autoritários latinos) quando ficou claro que o sistema de governo ruía e a opinião internacional acerca das atrocidades cometidas pelos milicos começava a virar.
China, terra do meio
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Este já não é mais o caso, e hoje temos uma troca comercial bastante significativa que vai além de soja e petróleo. O Brasil está ativamente engajado em fóruns internacionais ao lado dos chineses, liderando iniciativas tão ambiciosas quanto a mediação de paz na Ucrânia. Faltava nosso olhar. Felizmente parece que, aos poucos, isso vai deixar de ser um problema.
Toda sorte ao Felipe e que venham mais reportagens sobre a China diariamente.
Fonte ==> Folha SP