O programa Artemis, da Nasa, tem como objetivo enviar astronautas de volta à Lua pela primeira vez desde a era Apollo. A longo prazo, os americanos querem estabelecer uma presença humana permanente no satélite natural da Terra.
Os Estados Unidos consideram o plano central para manter a liderança espacial em meio à crescente competição com a China. O país asiático planeja pôr astronautas na superfície lunar até 2030 e também deseja construir uma base lá.
O programa americano dá um novo passo com a Artemis 2. O lançamento da missão rumo à Lua com quatro astronautas a bordo está prevista para esta quarta-feira (1º).
Confira os principais marcos do programa Artemis.
2017-2018 | Programa revitalizado
Durante a primeira administração Donald Trump, a Nasa foi orientada a concentrar seus esforços nos voos espaciais tripulados para a Lua. Até então, a agência vinha priorizando o plano de um dia ir para Marte.
O esforço lunar seria construído em torno do foguete SLS (Space Launch System) e da cápsula Orion, concebidos originalmente no programa Constellation, que acabou cancelado.
A Boeing atuou como principal desenvolvedora do SLS, a Northrop Grumman se encarregou dos propulsores de combustível sólido do foguete, e a Lockheed Martin, da espaçonave Orion.
2019 | cronograma acelerado definido
Em 2019, a Casa Branca estabeleceu a meta de pousar astronautas na Lua até 2024.
Embora o programa “Da Lua a Marte” só recebesse o nome Artemis meses depois, uma referência à irmã de Apolo na mitologia grega, a Nasa estabeleceu uma sequência de três missões:
- Artemis 1, um voo de teste não tripulado, com previsão para 2021;
- Artemis 2, um sobrevoo tripulado da Lua, com previsão para 2022;
- e Artemis 3, um pouso na superfície lunar, com previsão para 2023.
2020-2021 | Atrasos se acumulam, módulo lunar selecionado
Desafios técnicos, estouros de orçamento e interrupções relacionadas à pandemia de Covid atrasaram os cronogramas do foguete SLS, da espaçonave Orion e da infraestrutura de lançamento no Centro Espacial Kennedy, na Flórida.
Em abril de 2021, a Nasa escolheu o veículo Starship, da SpaceX, como o primeiro módulo de pouso lunar do programa, mantendo a meta de pouso para 2024, mas reconhecendo que ela poderia não ser mais alcançável.
À época, a Artemis 2 estava programada para 2023.
A Artemis 1, prevista para ser realizada até o fim de 2021, ficaria para o ano seguinte.
2022 | Artemis 1 decola
Em novembro de 2022, a Nasa lançou a Artemis 1, enviando uma espaçonave Orion não tripulada ao redor da Lua. A missão durou 25 dias.
O voo testou a navegação no espaço profundo, comunicações e o escudo térmico da Orion durante uma reentrada em alta velocidade, algo essencial antes de a espaçonave voar com astronautas.
Em 2023, soube-se que a cápsula Orion sofreu um desgaste excessivo e inesperado durante a reentrada na atmosfera.
Abril de 2023 | Tripulação da Artemis 2 anunciada
Em abril de 2023, a Nasa anunciou os quatro astronautas para a Artemis 2: Reid Wiseman, Victor Glover, Christina Koch e o astronauta canadense Jeremy Hansen.
O comando da missão fica com Wiseman. Glover foi escolhido como piloto. Christina Koch e Jeremy Hansen são os especialistas de missão.
É uma tripulação diferente das que conduziram as missões lunares Apollo, nos anos 1960 e 1970. Todos eram homens, americanos e brancos.
O novo grupo tem uma mulher branca e um homem negro, ambos americanos, e um homem canadense –contraste com o século passado na valorização da diversidade e de parcerias internacionais.
Maio de 2023 | Blue Origin entra no páreo
A Blue Origin, de Jeff Bezos, foi escolhida como segunda fornecedora de módulo lunar da Nasa em maio de 2023, após meses de disputas judiciais sobre a decisão da agência de escolher apenas a Starship, da SpaceX.
O módulo de alunissagem foi selecionado pela agência espacial dos Estados Unidos para a missão Artemis 5, então prevista para 2029.
2024 | missões adiadas
A Artemis 2, antes planejada para o fim de 2024, ficou para setembro de 2025. Mais tarde, o alvo passaria ser abril de 2026.
A então Artemis 3, por sua vez, passou de final de 2025 para setembro de 2026. Depois, ela foi empurrada para maio de 2027.
Fevereiro de 2026 | Programa Artemis reformulado
O administrador da Nasa, Jared Isaacman, anunciou a desistência de tentar levar humanos à superfície da Lua na Artemis 3 em 2027. O novo plano para essa missão é testar os módulos de pouso lunar em um voo em órbita baixa da Terra.
O objetivo de fazer com que humanos voltem a andar sobre o solo do satélite foi empurrado para a Artemis 4, programada para o início de 2028.
Março de 2026 | Foco na base lunar
Jared Isaacman anunciou o cancelamento dos planos para o Lunar Gateway —uma estação espacial que orbitaria a Lua— e redirecionou seus componentes para a construção de uma base permanente na superfície lunar.
Para isso, a ideia é investir cerca de US$ 20 bilhões ao longo dos próximos sete anos. Primeiro local para habitação no satélite natural está programado para 2033.
Abril de 2026 | Missão Artemis 2
Neste mês, a Nasa pretende lançar a Artemis 2, uma missão de aproximadamente dez dias que enviará quatro astronautas em um sobrevoo tripulado da Lua, a primeira viagem desse tipo desde a era Apollo.
A tripulação não pousará na superfície lunar, mas levará astronautas mais longe da Terra do que qualquer voo humano, testando os sistemas de suporte à vida, navegação, comunicações e desempenho do escudo térmico da Orion no espaço profundo — capacidades que a Nasa considera essenciais antes de tentar um pouso lunar.
Até 2028 | pouso lunar
O Artemis pretende levar astronautas de volta à superfície lunar usando um módulo de pouso desenvolvido comercialmente, um passo que a Nasa considera essencial antes de futuras missões a Marte.
A SpaceX, de Elon Musk, e a Blue Origin, de Jeff Bezos, competem para fornecer o módulo lunar, parte do esforço da Nasa de recrutar empresas privadas para entregar equipamentos para exploração do espaço profundo.
Espera-se que a primeira tripulação do Artemis a caminhar na Lua use o módulo de pouso que completar o desenvolvimento primeiro.
Fonte ==> Folha SP – TEC