A Samsung Electronics e seus sindicatos estão se preparando para um confronto sobre remuneração. Está previsto um grande protesto de trabalhadores para quinta-feira no complexo de semicondutores de Pyeongtaek, onde são produzidos os chips de memória de inteligência artificial avançada da empresa.
Os três sindicatos da Samsung, que planejam realizar o protesto em conjunto, esperam a participação de cerca de 37 mil membros. Os sindicatos exigem uma reformulação do que descrevem como o sistema de remuneração opaco da empresa, após um aumento recorde nos lucros graças ao boom da inteligência artificial.
“Como existe um teto para a parcela dos salários anuais baseada em desempenho, devemos remover esse teto e distribuir os lucros diretamente aos trabalhadores com base no desempenho real”, disse Kim Jae-won, porta-voz da força-tarefa dos sindicatos. “Há uma enorme diferença entre a SK Hynix e nossa empresa em termos de bônus por desempenho e salários.”
A SK Hynix, há muito vista como a rival menor da Samsung, tem se beneficiado enormemente da crescente demanda por poder computacional de inteligência artificial, graças à sua posição como principal fornecedora de chips de memória de alta largura de banda (HBM) para a Nvidia e outras fabricantes de chips.
O protesto de quinta-feira tem como objetivo ser um “aviso final” antes de uma greve geral planejada de 18 dias, que ocorreria de 21 de maio a 7 de junho, caso a questão não seja resolvida por meio de negociações. Os sindicatos preveem que a greve causaria prejuízos à empresa entre 20 trilhões de won (US$ 14,6 bilhões) e 30 trilhões de won.
A Samsung se recusou a comentar.
Historicamente uma empresa desejada pelos candidatos a um emprego, a Samsung foi recentemente ultrapassada pela SK Hynix, com os graduados universitários preferindo os salários mais altos, os grandes bônus e o potencial de crescimento desta última.
De acordo com uma pesquisa realizada em março pela plataforma de carreiras Saramin com 2.304 adultos, 20% dos entrevistados escolheram a SK Hynix como a empresa em que mais gostariam de trabalhar, desbancando a Samsung Electronics, que era a preferida por 18,9%. Essa foi a primeira inversão de preferência desde o início da pesquisa, há uma década.
A Samsung anunciou no início desta semana que seu lucro operacional saltou 755%, para 57,2 trilhões de won no primeiro trimestre em comparação com o ano anterior, superando a projeção de lucro operacional para todo o ano de 2025, de 43,6 trilhões de won. A empresa divulgará os dados completos de seus resultados na próxima semana, antes da teleconferência com investidores.
Analistas alertam que a disputa da Samsung com seu sindicato pode ter repercussões em sua posição de mercado a longo prazo, argumentando que seu forte desempenho recente se deve mais ao crescimento da inteligência artificial do que a seus próprios pontos fortes tecnológicos.
“Embora a empresa esteja lucrando muito no curto prazo, como muitos já apontaram, há dúvidas se isso é realmente resultado de suas próprias capacidades”, disse Lee Seung-woo, chefe de pesquisa da Eugene Investment & Securities. “Quando surgem novos fatores, como a disputa trabalhista, há preocupação sobre quais podem ser as repercussões.”
O Sindicato dos Trabalhadores da Samsung Electronics tem 75 mil membros, enquanto o Sindicato Nacional da Samsung Electronics tem 20 mil, de acordo com seus respectivos sites. A Samsung empregava 128 mil trabalhadores na Coreia do Sul em dezembro, com um salário médio anual de 158 milhões de won, segundo o registro da empresa junto ao órgão regulador.
A força de trabalho da SK Hynix no país era de 34 mil pessoas em dezembro. Seus funcionários ganhavam, em média, 185 milhões de won.
Fonte ==> Exame