O Brasil tem a segunda maior reserva comprovada de terras raras do mundo, atrás apenas da China, com cerca de 25 milhões de toneladas. Apesar de deter 23% do total das reservas globaisa exploração ainda é pequena, de aproximadamente 0,1% da produção mundial.
No Brasil, minerais e elementos encontrados no subsolo pertencem à União. Esses minerais só se tornam propriedade privada após a extração. Para exploração, é preciso que as empresas interessadas obtenham autorização de pesquisa e lavra na Agência Nacional de Mineração (ANM), além de licenças ambientais, e quando a exploração começar de fato, royalties calculados sobre o faturamento líquido na venda devem ser pagos via Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (CFEM).
A única empresa que já está na etapa de comercialização é a mineradora Serra Verdeque explora a jazida Pela Ema, localizada no município de Minaçu (GO), um depósito de argila iônica rico em terras raras leves e pesadas. A Serra Verde é a única que produz esses elementos em escala fora da Ásia. Ela foi vendida na semana passada para a empresa de terras raras USA Rare Earth por US$ 2,8 bilhões.
Além dela, existem mais de 1.400 autorizações de pesquisa para terras raras concedidas na ANM pelo Brasil, principalmente nos estados de Goiás, Minas Gerais e Bahia, mas todas em fases pré-operacionais. Entre as iniciativas em fase pré-operacional estão as de mineradoras listadas em bolsas estrangeiras e as de empresas brasileiras de capital fechado e aberto.
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Principais projetos de exploração de terras raras no Brasil
| Empresa | Estado ANM | Jazidas/Projetos Principais |
| Serra Verde (vendida para USA Rare Earth) | Em produção comercial | Pela Ema, Minaçu (GO) – argila iônica, terras raras leves/pesadas |
| Recursos Aclara | Fase de instalação | Nova Roma (GO) – terras raras |
| Appia Terras Raras e Urânio | Pesquisa avançada | Iporá, Diorama, Israelândia (GO) – terras raras |
| Mineração e Minerais Viridis | Estudos de viabilidade | Poços de Caldas (MG) – terras raras |
| Recursos meteóricos | Estudos avançados | Poços de Caldas (MG) – megajazida vulcânica |
| Mineração São Jorge | Pesquisa | Araxá (MG) – terras raras, nióbio |
| Minerais Críticos da Atlas | Pesquisa | Projetos em MG e GO – terras raras, grafite |
Quais são os minerais críticos do Brasil?
Se tratando de minerais críticos, a lista de pedidos para exploração é ainda maior: são mais de 9 mil requerimentos na ANM, segundo dados de 2025.
Não há um consenso global que define a lista de minerais estratégicos, os chamados recursos minerais cuja oferta está sujeita a riscos de escassez ou dependência de poucos fornecedores. Desta forma, cada país tem sua própria definição. No Brasil, os minerais estratégicos definidos pelo governo federal são:
Minérios estratégicos no Brasil
| Classificação | Elementos |
| Minerais com forte dependência externa | enxofre, fosfato, potássio e molibdênio |
| Minerais essenciais para tecnologias avançadas | cobalto, sobre, estanho, grafita, platina, lítio, nióbio, níquel, silício, tálio, tântalo, terras raras, titânio, tungstênio, urânio e vanádio |
| Minerais em que o Brasil tem relevância econômica ou vantagem comparativa | alumínio, cobre, ferro, grafita, ouro, manganês, nióbio e urânio |
Como terras raras são compostas por um grupo de 17 elementos químicos cruciais para produção de tecnologias de alta performance, eletrônicos e energia renovável. São eles: lantânio, cério, praseodímio, neodímio, promécio, samário, európio, gadolínio, térbio, disprósio, hólmio, érbio, túlio, itérbio, lutécio, escândio e ítrio, de acordo com o Serviço Geológico do Brasil (SGB).
Os principais minerais encontrados no subsolo brasileiro são nióbio (o país concentra 94% das reservas mundiais), ferro (12%), grafita (22%) e terras raras (segunda maior do mundo, atrás da China).
Fonte ==> Exame