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Fintech de ex-jogador da Seleção Brasileira de Vôlei sai do ar e deixa clientes sem acesso a R$ 850 milhões | Finanças

Maurício Volpato, ex-jogador da Seleção Brasileira de Vôlei, conhecido como Maurício Jahu, atualmente apresentador de TV — Foto: Reprodução/X

A empresa de tecnologia financeira Naskar Gestão de Ativos, que captava recursos de clientes por meio de contratos de mútuo, tem sido alvo de uma série de queixas no Reclame Aqui de investidores que deixaram de receber rendimentos no último mês. O acesso ao aplicativo foi bloqueado e o site sejanaskar.com.br saiu do ar, deixando quem tinha aportado dinheiro na empresa no escuro.

Segundo uma fonte a par do caso, a empresa tinha 2,7 mil clientes e teria reunido um patrimônio de cerca de R$ 850 milhões. Os sócios são Rogério Vieira, Marcelo Lirano Arantes e Maurício Volpato, ex-jogador da Seleção Brasileira de Vôlei, conhecido como Maurício Jahu, atualmente apresentador de TV. Aos clientes, eles não teriam feito esclarecimentos sobre o que travou os recursos.

“A Naskar informa que iniciou um processo interno de auditoria após identificar inconsistências em sua base de dados. As equipes técnicas seguem atuando na revisão e validação das informações, visando garantir segurança e precisão no tratamento dos dados. Os clientes serão atualizados o mais breve possível”, afirmou a companhia em nota.

A empresa, que atua fora do ambiente regulado, está em operação desde 2013. Vendia a ideia de ter criado um algoritmo que auxiliava a investir os recursos em renda fixa e em opções de ações, prometendo ganhos entre 1,5% e 2% ao mês, relata a fonte, muito acima dos parâmetros do mercado financeiro tradicional. Distribuía rendimentos mensais como um “reloginho” até que no mês passado interrompeu os pagamentos. Um possível encerramento da conta corrente por suspeita de lavagem de dinheiro teria causado o problema.

A fintech também distribuía um cartão multibenefícios, o Naskar Mundi, com bandeira Mastercard. Assessorias de investimentos e correspondentes bancários embarcaram no marketing de rede às custas de altas comissões e indicavam o produto para seus clientes.

O grupo Nexco, que atua com crédito, venda de consórcios, seguros e tem uma consultoria de valores mobiliários, ajuizou ação contra a empresa. “O problema deixou de ser apenas um atraso e passou a ser uma crise de confiança e de informação. A ausência de respostas concretas, somada à indisponibilidade da operação, tornou inevitável a busca pela tutela judicial para resguardar direitos e buscar esclarecimentos”, afirma Kauê Machado, do escritório Machado Gobbo, que representa o grupo e alguns clientes.

Ele explica que os instrumentos firmados com a Naskar são contratos de mútuo, o que quer dizer na prática que era um empréstimo que o cliente fazia para a empresa com amparo no Código Civil, com previsão de prazos, condições de devolução e remuneração pactuadas entre as partes. Não se trata de instituição financeira que atua no ambiente regulado, sob a fiscalização da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) ou do Banco Central (BC), embora a comunicação traga como uma das marcas o Naskar Bank. Só o valor empenhado por meio da Nexco somou R$ 288 milhões.

A Associação Brasileira dos Assessores de Investimentos (ABAI) escreveu, em nota, acompanhar com preocupação as notícias envolvendo a Naskar Gestão de Ativos. O caso da Naskar, ainda sob investigação, “apresenta elementos que a ABAI reconhece como padrão recorrente em fraudes contra investidores: a promessa de retorno fixo e elevado — no caso, 2% ao mês, patamar significativamente acima das referências praticadas no mercado regulado —, a ausência de transparência sobre a natureza e os riscos das operações subjacentes, e a utilização de intermediários que captavam clientes sem os vínculos e responsabilidades exigidos pelo arcabouço regulatório vigente”, escreve.

“Assessores de investimentos devidamente habilitados e vinculados a escritórios registrados nesse sistema são profissionais com deveres fiduciários legalmente estabelecidos, obrigados a dar transparência sobre riscos, remuneração e conflitos de interesse”, continua a entidade. “Qualquer produto ou operação que não possa ser explicado com clareza — quanto ao seu lastro, sua liquidez, seus riscos e sua estrutura de remuneração — não deve ser recomendada.”

Maurício Volpato, ex-jogador da Seleção Brasileira de Vôlei, conhecido como Maurício Jahu, atualmente apresentador de TV — Foto: Reprodução/X



Fonte ==> Exame

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