Em 1981, uma tragédia aérea nos Campos Gerais, no Paraná, dizimou a cúpula do Banco Bamerindus. O acidente matou o presidente, o vice-presidente e três herdeiros, forçando uma mudança sucessória que levaria a instituição ao auge e, posteriormente, à sua liquidação definitiva em 1997.
Quem foram as vítimas do acidente ocorrido em 1981?
O desastre envolveu um bimotor Piper Seneca II que partiu de Curitiba com destino a uma fazenda em Joaquim Távora. Faleceram o então presidente do banco, Tomaz Edison de Andrade Vieira, seu irmão e vice-presidente, Cláudio Enoch de Andrade Vieira, além de três filhos de Cláudio e o piloto Dalton Nicoleti. O voo enfrentou condições meteorológicas extremas, com forte neblina e formação de gelo na fuselagem, caindo em uma área de mata fechada entre Piraí do Sul e Arapoti.
Como a liderança do banco foi reestruturada após a tragédia?
Com a morte das principais lideranças, a sucessão recaiu sobre o único irmão remanescente, José Eduardo de Andrade Vieira, conhecido como ‘Zé do Chapéu’. Embora sua vocação pessoal fosse a agropecuária e a política — ele chegou a ser senador e ministro — José Eduardo assumiu o comando e expandiu o Bamerindus, transformando-o no segundo maior banco privado do país em número de agências durante a década de 1990.
Quais fatores econômicos impulsionaram o sucesso temporário do banco?
O crescimento do Bamerindus baseou-se no chamado ‘float inflacionário’. Em tempos de inflação altíssima (chegando a 40% ao mês), os bancos lucravam apenas movimentando o dinheiro: captavam recursos em contas correntes sem juros e os aplicavam em títulos públicos de curtíssimo prazo, ficando com a correção monetária. Com isso, a análise rigorosa de riscos e de crédito era negligenciada, pois o ganho com a inflação cobria deficiências na gestão.
Por que o Plano Real contribuiu para a derrocada da instituição?
Com o Plano Real em 1994, a inflação foi controlada e o lucro fácil do ‘float’ desapareceu. O sistema bancário foi forçado a voltar à sua atividade essencial: emprestar dinheiro. Sem experiência em análise de crédito e operando com juros altos para defender a nova moeda, o Bamerindus enfrentou uma explosão de inadimplência. Além disso, o banco investiu pesado em setores industriais, como a fábrica de papel Inpacel, imobilizando capital de forma insustentável.
Como foi o desfecho jurídico e financeiro do Bamerindus?
Em março de 1997, o Banco Central decretou intervenção no Bamerindus. A parte saudável foi vendida ao britânico HSBC, enquanto ativos problemáticos ficaram sob liquidação extrajudicial. José Eduardo acusou o governo de Fernando Henrique Cardoso de arquitetar a falência por retaliação política. A agonia jurídica da massa falida durou até 2013, quando o BTG Pactual comprou os ativos remanescentes, encerrando a história de um dos maiores símbolos econômicos do Paraná.
Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.
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Fonte ==> UOL