A crise global de fertilizantes já impacta o agro brasileiro e acende sinal vermelho no campo. A crise preocupa a bancada gaúcha. A escalada de tensões no Oriente Médio, com impacto direto sobre rotas estratégicas como o Estreito de Ormuz, já produz efeitos concretos sobre a segurança alimentar global. O risco deixou de ser teórico: envolve queda na produção, encarecimento dos alimentos e pressão direta sobre o Brasil.
Escassez de fertilizantes
A escassez pode comprometer até 10 bilhões de refeições por semana no mundo, segundo o presidente da Yara International, Svein Tore Holsether. A estimativa, ainda que extrema, expõe a dependência global de cadeias logísticas frágeis e altamente concentradas.
Produtor pressionado
A equação é simples e perigosa: custo sobe, margem cai, plantio diminui. O resultado tende a aparecer na mesa do consumidor. Parlamentares do Rio Grande do Sul acompanham o cenário com preocupação. O deputado Heitor Schuch (PSB) defende reação estruturada: “Não podemos depender tanto de insumos externos. É urgente investir na produção nacional e dar previsibilidade ao agricultor”. Já o deputado Alceu Moreira (MDB) alerta para o risco de desorganização: “Quando o custo explode e o preço não acompanha, o produtor reduz o plantio. Isso pode gerar falta de alimentos e inflação”.
Máquinas agrícolas
As feiras do agronegócio registram queda superior a 50% na venda de máquinas agrícolas. A indústria reage com férias coletivas e, em alguns casos, demissões. É o termômetro de um setor que desacelera. Analistas apontam que muitos produtores devem reduzir o plantio da próxima safra, especialmente de soja. O motivo não é apenas o preço dos fertilizantes, mas a insegurança logística. Parte relevante dos insumos vem do leste europeu; e o produto comprado hoje só deve chegar ao Brasil em agosto, no limite do calendário agrícola.
Medidas e gargalos
No Congresso, cresce a cobrança por medidas emergenciais: crédito mais acessível, redução de custos logísticos e políticas que amortizem os efeitos da crise internacional. O problema, porém, vai além do curto prazo. A dependência externa de fertilizantes expõe uma fragilidade estrutural do agro brasileiro, justamente em um momento em que o país é chamado a garantir segurança alimentar global.
Disputa por alimentos
No cenário internacional, o risco é de uma corrida por estoques. Países mais ricos tendem a se antecipar, pressionando ainda mais preços e disponibilidade. O Programa Mundial de Alimentos estima que os efeitos combinados das tensões geopolíticas podem empurrar mais 45 milhões de pessoas para a fome aguda até 2026.
Entre exportar e alimentar
Para o Brasil o desafio é duplo: manter competitividade no mercado externo e garantir abastecimento interno. A crise dos fertilizantes deixou claro que a comida virou ativo estratégico. Não é mais um problema distante. É uma variável central da geopolítica e já começa a bater à porta do consumidor brasileiro.
Fonte ==> Folha SP