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Lula defende que Petrobras pague mais por equipamentos baratos do exterior

Lula Alcolumbre Jorge Messias STF

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu nesta quarta-feira (27) que a Petrobras deve gastar mais na compra de equipamentos produzidos no país em vez de opções mais baratas vendidas por outros países. A afirmação foi feita em Manaus durante o anúncio de um investimento da estatal de R$ 2,8 bilhões na Amazônia.

Os recursos serão aplicados até 2030 para ampliar a produção de gás natural e na fabricação de 18 barcaças para transporte de combustíveis, que fazem parte de um programa de renovação da frota própria da estatal através da Transpetro.

“Porque o minério de ferro é nosso, a siderúrgica é nossa, o estaleiro é nosso, a Petrobras é nossa. Por que temos que comprar dos outros? A gente só compra dos outros o que a gente não tem, não produz e não sabe fazer”, afirmou Lula no evento ao lado da presidente da estatal, Magda Chambriard.

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Lula ressaltou durante o discurso que o Brasil tem conhecimento suficiente para fabricar este tipo de equipamento e que não faz sentido comprar da China, por exemplo, apenas por ter um preço mais em conta.

“Ao invés da gente ir pra China, pra Coreia ou pra Cingapura, a gente vem pra Manaus produzir. Isso significa soberania e respeito à pátria”, afirmou o petista em um discurso que se tornou comum em suas falas e que será explorado durante a campanha eleitoral deste ano.

A defesa pela soberania foi adotada pelo governo após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, impor no ano passado um tarifaço de 50% a produtos brasileiros no ano passado e a mirar autoridades do país com sanções, entre elas o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), por conta da condução do processo contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) por supostamente liderar uma tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022.

Trump, aliás, foi alvo de críticas de Lula no evento em Manaus, em que disse que ele “não se meta” nos negócios que a Petrobras está discutindo com o México para explorar petróleo em águas profundas na costa do país caribenho.

Críticas a Bolsonaro

Lula ainda aproveitou o evento para criticar “a elite” brasileira que supostamente não queria que o país investisse em uma petroleira, preferindo importar petróleo dos Estados Unidos. Isso, disse, ocorreu em 1953 e mudou a partir da “coragem” do ex-presidente Getúlio Vargas. Ele ainda reclamou da privatização da antiga estatal de distribuição de botijão de gás, a Liquigás, durante o governo Bolsonaro em 2020.

“Eu, em 2004, comprei uma empresa de distribuição de gás pra gente poder controlar o preço do botijão. O que eles fizeram? Venderam, [assim como] a BR [Distribuidora]. O que o Brasil ganhou quando privatizaram a BR? A troco de dizerem que são bons gestores”, questionou citando que a estatal de distribuição de combustíveis tinha capacidade de “brigar” com outras redes de postos.

O presidente também retomou as críticas à privatização da Eletrobras, também durante o governo Bolsonaro, no que chamou de “bacia das almas”. No início deste mandato, Lula tentou reverter a venda, mas acabou apenas conseguindo uma alteração e ampliação da composição do conselho de administração.

Investimentos da Petrobras no AM

O pacote de investimentos da Petrobras e da Transpetro prevê novos poços de extração de petróleo e gás no Polo Urucu, ampliação da logística de combustíveis e geração de empregos no estado. Serão cerca de R$ 2,5 bilhões na retomada das operações após dez anos sem novas perfurações, além da construção de cerca de 40 quilômetros de linhas de conexão, com previsão de aumento médio de 4,4 mil barris por dia na produção.

Segundo o governo, o Polo Urucu é a maior província petrolífera terrestre do Brasil e produz atualmente cerca de 105 mil barris de óleo equivalente por dia. O gás natural da região abastece aproximadamente 65% da energia elétrica consumida em Manaus e em outros cinco municípios do Amazonas.

Já as 18 barcaças de transporte de combustíveis serão construídas no Estaleiro Bertolini Construção Naval da Amazônia, em um contrato de R$ 303,5 milhões. As embarcações serão usadas na logística marítima para outros estados e devem gerar cerca de 3,3 mil empregos diretos e indiretos no Amazonas.

Além das barcaças, a Transpetro contratou 18 empurradores para operações logísticas em portos como Rio de Janeiro, Santos, Belém, Paranaguá e Rio Grande. Os investimentos conjuntos somam R$ 628 milhões e fazem parte do Programa Mar Aberto, que prevê a construção de 96 embarcações até 2030.

Segundo a Petrobras, a companhia mantém cerca de 14 mil empregos diretos e indiretos no Amazonas e arrecadou R$ 1,5 bilhão em tributos no estado em 2025.



Fonte ==> UOL

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