Search
Close this search box.
Search
Close this search box.

Peixes dormem de forma muito parecida com a nossa – 05/06/2026 – Ciência

Peixes dormem de forma muito parecida com a nossa - 05/06/2026 - Ciência

Como os humanos, a maioria dos peixes é diurna, o que significa que dormem sobretudo à noite. E, assim como nós, quando cochilam, eles ficam imóveis e demoram a responder a estímulos ambientais. Além disso, se forem privados de sono, compensarão a perda dormindo mais na noite seguinte.

Um novo estudo, publicado no mês passado na revista Nature Communications, mostrou quanto o sono dos peixes se assemelha ainda mais ao nosso.

Ao rastrearem os movimentos oculares de peixes-zebra, os pesquisadores conseguiram identificar quatro subestados de sono, semelhantes aos estágios que os cientistas descreveram em humanos.

“Há uma complexidade na estrutura do sono deles”, disse Jennifer Mengbo Li, coautora do estudo e neurocientista do Instituto Max Planck de Cibernética Biológica, na Alemanha.

Três dos quatro subestados ocorrem à noite, durando ao todo dez horas.

O primeiro e mais profundo é caracterizado por um olhar fixo e imóvel.

À medida que as horas de vigília se aproximam, um segundo subestado, mais leve, instala-se: os olhos do peixe-zebra se movem lateralmente na mesma direção, antes de retornarem lentamente ao centro.

No terceiro subestado, que ocorre quando a manhã se aproxima, ambos os olhos se voltam para o mesmo lado e permanecem ali.

Durante o quarto e último subestado, que acontece em breves intervalos ao longo do dia, os olhos do peixe-zebra se movem de um lado para o outro, como se estivessem vasculhando o ambiente em busca de possíveis riscos.

Mas os olhos podem enganar: esses cochilos de 5 a 10 minutos são profundos o suficiente para que grande parte da atividade cerebral seja suprimida, e os espécimes são difíceis de acordar.

Como parte do estudo, os pesquisadores utilizaram um sistema autônomo de microscópio e câmera autodirigido. Projetado pelo neurocientista Drew Robson, coautor do estudo e também do Max Planck, o sistema acompanhou 105 peixes pelo aquário enquanto eles nadavam, caçavam e dormiam.

“Esta é a primeira vez que conseguimos registrar o cérebro inteiro de um animal em movimento livre”, disse o autor principal do estudo, Vikash Choudhary, doutorando do Instituto Max Planck.

Como os peixes-zebra são transparentes durante suas três primeiras semanas de vida, é possível observar diretamente seus cérebros por meio de imagens de cálcio, acompanhando quais neurônios disparam em conjunto com os vários estágios do sono. Isso permite que os pesquisadores examinem o cérebro em atividade enquanto registram simultaneamente os movimentos de todo o corpo e dos olhos.

“Os pesquisadores conseguiram demonstrar que os peixes-zebra têm estados de sono específicos e que certas populações de neurônios são ativadas e podem ser marcadores desses estados de sono”, afirmou o biólogo David Prober, do Caltech (Instituto de Tecnologia da Califórnia), que não participou do novo estudo.

Prober argumenta que o cérebro do peixe-zebra —embora menor e mais simples que o cérebro humano— pode ajudar a identificar os mecanismos mais essenciais associados ao sono. O laboratório em que o biólogo atua descobriu que muitos dos genes, neurônios e medicamentos que regulam o sono em humanos e outros mamíferos têm efeitos semelhantes em peixes.

Michael Heithaus, ecologista marinho da Universidade Internacional da Flórida que não participou do estudo, disse ser empolgante ver que os cientistas começaram a distinguir esses diferentes estados de sono e a tentar entender sua finalidade. Embora saibamos que todos os animais dormem durante grande parte de suas vidas, as razões e os mecanismos que regulam o sono não são bem compreendidos.

“É como muitas coisas na biologia: quanto mais olhamos por baixo do capô, mais complexo é”, afirmou o ecologista.



Fonte ==> Folha SP – TEC

Relacionados