Quando a Nasa anunciou os astronautas que voarão na Artemis 3, a próxima missão de seu programa de retorno à Lua, chamou a atenção de muitos o fato de a tripulação ser formada por quatro homens e nenhuma mulher.
Isso faria parte da ofensiva do governo de Donald Trump contra diversidade, equidade e inclusão? Jared Isaacman, administrador da Nasa, rejeitou veementemente essas críticas.
“Não acho que ninguém deveria tirar conclusões precipitadas sobre isso”, disse a repórteres no Centro Espacial Johnson da Nasa, na última terça-feira (9), após o evento de anúncio da tripulação.
“Nossa última turma de candidatos a astronautas tinha mais de 50% de mulheres. Vamos reunir os melhores astronautas para cumprir os objetivos.”
Das 10 pessoas selecionadas pela Nasa no ano passado para serem seus mais novos astronautas, 6 eram mulheres —a primeira vez que mulheres superaram homens em número—, mas o grupo pareceu menos diverso racialmente.
A tripulação exclusivamente masculina da Artemis 3 inclui Andre Douglas, que é negro, e Frank Rubio, que é latino.
Em entrevista ao The New York Times nesta sexta-feira (12), Isaacman disse que a Nasa seguiu seus procedimentos habituais, conduzidos por Scott Tingle, chefe do escritório de astronautas, e Norman Knight, diretor de operações de voo.
“Eu não escolhi a tripulação”, disse Isaacman. “Nosso objetivo é sempre colocar os melhores astronautas na missão para dar a ela a maior probabilidade de sucesso, e isso se baseia em experiência, histórico e disponibilidade.”
Questionado se a seleção de astronautas é feita sem considerar gênero e raça, Isaacman respondeu: “Claro”.
Isaacman observou que viagens recentes à Estação Espacial Internacional incluíram muitas astronautas mulheres, incluindo a missão Crew-10, em que as duas astronautas da Nasa a bordo, servindo como comandante e piloto, eram mulheres. Os outros tripulantes eram homens, escolhidos pela Roscosmos, a corporação estatal que administra o programa espacial russo, e pela Jaxa, a agência espacial japonesa.
Muitas das principais autoridades da Nasa também são mulheres, disse Isaacman. “Vocês estão tentando encontrar controvérsia onde não precisa haver”, afirmou ele .
Como será a Artemis 3
Jeremy Parsons, do escritório do programa Lua a Marte (que abarca Artemis e além), apresentou durante o evento desta semana uma noção de como deve se desenrolar a missão, que exigirá diversos lançamentos coordenados e controlados por diferentes organizações.
Ela começará com o lançamento não tripulado do módulo lunar Blue Moon Mark 2, da Blue Origin. A escolha vem do fato de ele ser projetado para passar até 90 dias no espaço, abrindo margem para os lançamentos subsequentes. O foguete a lançá-lo ao espaço será o New Glenn, da mesma companhia.
Em seguida, voará o SLS com a Orion e os quatro astronautas. A cápsula então se encontrará com o Blue Moon e realizará a acoplagem. A tripulação embarcará no módulo lunar e conduzirá manobras com ele, tanto quanto possível, antes de retornar à Orion e desacoplar.
Nesse meio tempo, a SpaceX terá lançado seu módulo Starship, que será em seguida visitado pela Orion, que se acoplará a ele, antes de retornar à Terra. “Esperamos que a missão dure cerca de duas semanas”, disse Parsons, indicando que o objetivo dos trabalhos será realizar testes em condições espaciais e minimizar riscos para a alunissagem, que viria na Artemis 4.
Fonte ==> Folha SP – TEC