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Departamento uruguaio de Colônia mira mercado gaúcho

Paisagens rurais, como a do Viñedos y Olivares del Quintón, conquistam cada vez mais visirantes | Carmen Carlet/Especial/JC

Especial para o JC
De Colônia, Uruguai
Localizado a cerca de 900 quilômetros de Porto Alegre, o departamento uruguaio de Colônia, que tem a cidade de Colônia de Sacramento como um de seus cartões postais, vem trabalhando para ampliar sua presença no mercado gaúcho. Com US$ 113 milhões movimentados pelo turismo e 469,3 mil visitantes eles 2025o destino intensifica suas ações promocionais não Rio Grande do Sulhoje considerado um dos mercados prioritários para a região.
O desempenho coloca Colônia como o terceiro destino mais visitado do país vizinho, atrás apenas da capital Montevidéu e de Maldonadodepartamento onde está localizada Punta del Estetradicionalmente procurada pelos gaúchos durante a temporada de verão. O porto de Colônia de Sacramento Também ocupa uma posição estratégica no turismo. Além de conectar o país Buenos Aires (distante uma hora de barco), funciona como principal porta de entrada para visitantes internacionais no Uruguai – inclusive brasileiros em turismo na capital da Argentina.
Aliás, o turismo vem ganhando força na economia uruguaia. Em 2025respondeu por 6,2% da atividade econômica do país e por cerca de 40% do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB). O setor gerou receitas de exportação de US$ 2,04 bilhõesficando em quarto lugar no ranking, atrás apenas da carne bovina, celulose e soja.
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O Brasil aparece como um mercado relevante nesse cenário. No ano passado, foi o segundo principal emissor internacional de turistas para o Uruguai, com quase 490 mil visitanteslogo após a Argentina. Com foco nesse mercado, o departamento de Colônia – localizado a Sudoeste no mapa do Uruguai – investe em medidas voltadas ao público brasileiro, incluindo sinalização em português, meios de pagamento compatíveis com Pix e facilidades para turistas que utilizam reais em suas compras. As ações de divulgação também passaram a concentrar esforços nas principais cidades do Rio Grande do Sul, consideradas estratégicas para o crescimento da circulação de visitantes brasileiros.
A curta distância entre Colônia e o Rio Grande do Sul ajuda a explicar essa relação. Há também hábitos culturais que soam familiares para muitos gaúchos. A cuia com o mate na mão e a garrafa térmica debaixo do braço, por exemplo, acompanham os moradores durante boa parte do dia. A proximidade com a orla faz parte da rotina de quem vive às margens do Rio da Pratacenário que guarda semelhanças com a presença do Guaíba no cotidiano dos porto-alegrenses.
 

Paisagens rurais, como a do Viñedos y Olivares del Quintón, conquistam cada vez mais visirantes Carmen Carlet/Especial/JC
A paisagem agrícola é outro ponto em comum e que passa a integrar roteiros voltados ao turismo gastronômico e rural. Nesses locais, a atividade turística está diretamente associada à produção desenvolvida pelas próprias comunidades.

Centro Histórico da Colônia de Sacramento mantém destaque

Fundada pelos portugueses em 1680 e disputada durante décadas pelas coroas de Portugal e Espanha, Colônia de Sacramento continua sendo o principal ponto de visitação do departamento. Dados da Intendência de Colônia indicam que 84,7% dos turistas que chegam à região passam pelo bairro histórico, reconhecido como Patrimônio Mundial pela Unesco desde. UM Rua dos Suspirosó Portão de Campo e o Farol figuram entre os locais mais visitados.
 
UM Rua dos Suspiros também é uma das imagens mais associadas a Colônia de Sacramento. Além das histórias que cercam o nome da rua, ela preserva características da ocupação portuguesa, visíveis no calçamento de pedras irregulares e na canaleta central utilizada para o escoamento da água da chuva. Já o Portão de Campo integrava o sistema defensivo construído pelos portugueses para proteger a cidade durante as disputas territoriais com a Espanha.

O Portón de Campo integrava o sistema defensivo construído pelos portugueses para proteger a cidade durante as disputas territoriais com a Espanha | Florencio Vegas Vilches/Divulgação/JC

O Portón de Campo integrava o sistema defensivo construído pelos portugueses para proteger a cidade durante as disputas territoriais com a Espanha Florêncio Vegas Vilches/Divulgação/JC

A ponte levadiça e os trechos remanescentes das muralhas ajudam a entender a importância estratégica que Colônia teve na formação da região do Rio da Prata. Ao redor desses pontos, ruas de pedra levam a restaurantes, cafés, pequenos hotéis e espaços culturais instalados em construções preservadas ao longo dos séculos.
Uma curiosidade da cidade é a grande quantidade de cachorros que dividem espaço com moradores e visitantes. Uma presença, inclusive, incorporada ao cotidiano local e destacada pelos guias turísticos. Para o diretor de Turismo de Colônia, Martin Álvarez Ingoldparte da identificação dos brasileiros com a cidade está ligada à própria origem da capital do departamento. “A fundação de Colônia pelos portugueses nos aproxima culturalmente”, afirma.
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A história da cidade segue sendo objeto de pesquisa. A renomada antropóloga e arqueóloga Nelsys Fusco Zambetogliris – um dos nomes mais ligados à arqueologia histórica da cidade – por exemplo, acompanha de perto o trabalho de sua equipe. Em uma esquina do bairro, a também arqueóloga Elena Vallvé escava em busca de vestígios preservados que ajudem a entender a ocupação portuguesa e espanhola na região.
 

Nelsys (esquerda) e Elena atuam em estudos e pesquisas que ajudam a preservar a história do local | Carmen Carlet/Especial/JC

Nelsys (esquerda) e Elena atuam em estudos e pesquisas que ajudam a preservar a história do local Carmen Carlet/Especial/JC
Estudos e pesquisas ajudam a consolidar ações de preservação que antecederam o reconhecimento internacional do conjunto histórico de Colônia de Sacramento. Escavações realizadas em diferentes pontos permitiram localizar remanescentes de edificações, sistemas construtivos e objetos utilizados pelos antigos moradores da cidade. Parte do conhecimento disponível atualmente sobre a ocupação portuguesa e espanhola resulta desse trabalho desenvolvido ao longo das últimas décadas.



Fonte ==> Folha SP

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