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Asteroide é fotografado por espaçonave chinesa Tianwen-2 – 10/07/2026 – Ciência

Asteroide irregular em tons de cinza contra fundo preto, com escala de 10 metros para referência de tamanho. Logotipos de agências espaciais chinesas no canto inferior esquerdo.

Um dia após uma espaçonave japonesa sobrevoar o asteroide Torifune, a agência espacial chinesa anunciou que uma sonda robótica havia chegado a outra rocha espacial, um objeto angular e compacto chamado 469219 Kamoʻoalewa.

A espaçonave Tianwen-2 iniciou sua missão em maio de 2025, quando foi lançada. Após meses de viagem pelo Sistema Solar, ela se aproximou do asteroide e ficou a cerca de 20 quilômetros dele, permitindo que o fotografasse.

Pontiagudo, assimétrico e com 18 metros de comprimento, Kamoʻoalewa aparenta ser diferente dos asteroides bem mais pedregosos e arredondados que outras espaçonaves não tripuladas visitaram nos últimos anos.

“Kamoʻoalewa parece incrível, diferente de tudo que já vimos flutuando no espaço”, disse a pesquisadora Sabina Raducan, do Instituto Internacional de Ciências Espaciais em Berna (Suíça).

“Ele pode ser um remanescente de um evento catastrófico”, afirmou a também pesquisadora Cristina Thomas, da Universidade do Norte do Arizona (EUA), sobre a possível origem do asteroide.

A rocha orbita e se mantém em sincronia com o nosso planeta, mas não é uma lua genuína porque está gravitacionalmente ligada ao Sol. Ela não representa perigo para nós.

Quase-luas como Kamoʻoalewa oferecem pistas sobre como asteroides que surgiram entre Marte e Júpiter acabaram chegando ao seu destino —algo que cientistas preocupados com asteroides potencialmente mortais estão ansiosos para entender melhor.

A missão não se restringirá a admirar o asteroide de longe. Depois de concluir observações científicas à distância, a espaçonave deve descer e coletar material de Kamoʻoalewa. E, se tudo sair como planejado, trazê-lo à Terra no fim de 2027.

“A coleta de amostras será desafiadora”, disse Raducan. Se conseguir, a China se tornará a terceira nação a extrair material diretamente de um asteroide, depois do Japão e dos Estados Unidos.

“Kamoʻoalewa é o menor objeto que os humanos já visitaram com uma espaçonave”, acrescentou Thomas.

Com base na primeira foto da Tianwen-2, o asteroide se assemelha a uma lasca rochosa. “Ele se parece com um fragmento intacto que obtemos em experimentos de impacto em laboratório”, afirmou Raducan.

Um dia, chegou-se a cogitar se Kamoʻoalewa poderia ser um pedaço da nossa própria Lua, criado pelo impacto de um asteroide há milhões de anos. Mas essa hipótese não se sustentou por muito tempo. Os cientistas descobriram que é muito mais provável que ele tenha se originado como um objeto no cinturão principal de asteroides, logo além de Marte.

Um exame preliminar recente usando o telescópio James Webb revelou que se trata de um objeto muito reflexivo, não algo mais escuro e semelhante à Lua. Essa pesquisa identificou ainda indícios de que sua composição superficial lembra a de um tipo raro de meteorito conhecido como aubrito.

Os aubritos são particularmente empolgantes porque podem ter vindo de um objeto semelhante a um asteroide despedaçado, que tinha seus processos geológicos ativos, incluindo aqueles que produziram magma, camadas rochosas e talvez até um núcleo metálico —quase como um planeta em miniatura. É possível que Kamoʻoalewa seja os restos de algo semelhante.

Por enquanto, ninguém tem certeza do que exatamente Kamoʻoalewa pode ser. “É preciso um esforço coordenado entre várias disciplinas para chegar à história que melhor explique tudo”, disse o cientista planetário Benjamin Sharkey, da Universidade de Maryland.

Mas, caso os planos chineses se concretizem, estamos prestes a descobrir. Em algum momento nos próximos meses, a Tianwen-2 mergulhará em direção a Kamoʻoalewa e tentará extrair parte de seus detritos rochosos de várias maneiras, incluindo o uso de jatos de gás para agitar os grãos da superfície e colocá-los em um recipiente, além de se ancorar ao asteroide antes de perfurá-lo.

Se tiver sucesso nessa etapa, a espaçonave partirá de Kamoʻoalewa com o material coletado em abril de 2027.

O asteroide, porém, não deve facilitar as coisas para a China.

Quando os EUA e o Japão regressaram com amostras de asteroides para a Terra, eram objetos pedregosos mal sustentados pela própria gravidade. Embora a interação com eles tenha apresentado seus próprios desafios de voo espacial, recolhê-los em uma cápsula de armazenamento não foi tão difícil.

Já Kamoʻoalewa pode ser uma rocha sólida e rígida. “Será a primeira vez que visitaremos algo assim”, afirmou Andy Rivkin, pesquisador de defesa planetária no Laboratório de Física Aplicada Johns Hopkins, em Laurel, Maryland.

O nome havaiano da quase-lua significa objeto celestial oscilante. Como ele gira em torno de si mesmo uma vez a cada 28 minutos, é como um pião girando rapidamente —algo que poderia colocar em risco o pouso da Tianwen-2.

E o fato de Kamoʻoalewa ser tão pequeno significa que a Tianwen-2, com cerca de 2 toneladas, poderia ter um efeito desproporcional sobre o asteroide. “A esperança é que, durante a perfuração, a espaçonave não o empurre para uma órbita diferente, dado que seus tamanhos relativos são tão semelhantes”, disse Raducan.



Fonte ==> Folha SP – TEC

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