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Queda nos preços da laranja preocupa produtores gaúchos

Principal hipótese indica que a doença deve ter entrado no Estado por meio do comércio irregular de mudas. | Seapi/Divulgação/JC

Especial para o JC
Depois de um período de alta no preço, a atual queda no valor comercial é uma das principais preocupações dos produtores de laranja no norte do Estado. “Hoje estão pagando na casa dos 40 centavos o quilo, R$ 400,00 a tonelada. Os custos são bem acima disso.
Ó Preço mínimo da Conaba partir de primeiro de julho, é de 70 centavos. Esse preço mínimo é estipulado em cima dos custos, numa análise de custo de produção“, destaca o presidente da Coopsalzano, Leandro Rubini.
Essa tem preçosegundo o extensionista da Emater/RS-Ascar de Erval Grande, Ivonir Biesek, é cíclica e pode ser explicada por mudanças de hábitos de consumo, baixas produções nos anos anteriores e altos estoques de suco em nível mundial.
“A Europa e os Estados Unidos têm mudado o hábito de consumo. Ou seja, o europeu e o americano, que toda a manhã tomavam um copo de suco, muito em função do alto preço e das crises que que acontecem, têm mudado o hábito e não tomado mais o suco de laranjaprovocando um aumento dos estoques mundiais. E isso tem interferido na questão do mercado, pela questão lógica, né, da oferta e da demanda“, explica.
O clima, por outro lado, histórica preocupação rural em culturas anuais, como a de grãos, não gera tanta apreensão na citriculturaao menos no Norte gaúcho. “É uma vantagem da citricultura a questão de segurança com relação a intempéries.
Diferentemente da produção de grãos, uma seca como tem ocorrido no Rio Grande do Sul nas quatro ou cinco últimas safras, ou uma enchente como a de 2024, é muito impactante. Para culturas permanentescomo é o caso da laranja, ela tem uma quebra sim, diminui tamanho de fruta, diminui volume de produção, mas ainda consegue expressar produção, por essa característica, de ser uma cultura permanente”, reforça.
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Ainda assim, para o presidente da Coopsalzano, a cultura da laranja segue sendo uma atividade atraente tanto para quem já está quanto para quem quer entrar. “A citricultura entrou muito como uma atividade complementar de diversificação e não tão profissionalizada. Em momentos como 2024, quando o valor da fruta ficou muito acima do esperado, muita gente pensou em ampliar área. Mas acho que o foco deve ser melhorar a produtividade da área que já existe. É possível produzir mais na mesma área”, pontua Rubini.
Hoje, segundo Biesek, a produtividade da laranja no Alto Uruguai gira em torno de 35 toneladas por hectare, algo que varia muito a depender do manejo, tecnologiamicroclima e variedades produzidas. Com a técnica adequada esse número pode aumentar significativamente, segundo o extensionista.
“Os produtores que conseguem adotar tecnologias produtivas de manejo mais aprimorado, podem chegar a produtividades expressivas de mais de 70 toneladas por hectare”, assegura. Atualmente, conforme a Emater/RS-Ascar, a produtividade média da laranja no Estado é de 20,85 toneladas por hectare.
 

Foco de greening em Palmitinho gera apreensão na cadeia produtiva

Uma das principais ameaças à citricultura mundialó ecologização/HLB é considerado a doença mais destrutiva na produção de citrus. Até então, o Rio Grande do Sul era o único estado produtor livre de focos da enfermidade. Entretanto, no dia 8 de junho, o greening foi identificado num pomar doméstico do município de Palmitinhona região do Médio Alto Uruguai.
A partir de então, equipes do Departamento de Defesa Vegetal (DDV) a Secretaria de Agricultura, Pecuária, Produção de Subsistência e Irrigação (Seapi) e a Superintendência Federal de Agricultura do RS (SFA-RS/Mapa) se mobilizaram na contenção da doença, erradicando focos, com a monitoração das áreas próximas ao pomar infectado, conforme as diretrizes do plano de ação estabelecido pelo Programa Nacional de Controle e Prevenção do Greening.

Principal hipótese indica que a doença deve ter entrado no Estado por meio do comércio irregular de mudas. Seapi/Divulgação/JC
Conforme o diretor do DDV, Ricardo Felicetti, a principal hipótese indica que a doença deve ter entrado no Estado por meio do comércio irregular de mudas. “Como essas mudas muitas vezes atravessam Paraná, Santa Catarina, elas podem tanto já estar contaminadas com a bactéria quanto ter sido infestadas no caminho”, explica.
Seguindo o protocolo do plano emergencial, a equipe do DDV iniciou a contenção de doenças em um raio de 500 metros da origem, na primeira semana. Posteriormente, o raio se estendeu para 2,4 quilômetros do foco, com levantamento de todos os citros da área.
“Nos sintomáticos, é feita coleta para avaliar a presença da doença, e também já aproveitamos e orientamos a erradicação de plantas com sintomaspor precaução, com coleta para identificar se a bactéria já estava presente e solicitamos o corte”, esclarece Felicetti. Ao todo, foram vistoriados mais de 500 imóveis até o momento, com a eliminação de pelo menos 200 plantas. Segundo a Seapi, a situação está sob controle no momento no Rio Grande do Sul.
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“Agora estamos com um planejamento para ampliar o raio de monitoramento para 5 quilômetrosa fim de verificar novas plantas eventualmente sintomáticas. Também estamos trabalhando com municípios com produção comercial de citroscomo Pinheirinho do Vale e Liberato Salzano, entre outros, para verificar o entorno dessas cidades e também pomares domésticos, para ver se tem algum indício de infestação nessas áreas”, Felicetti complementa.
A principal orientação, não só aos produtores, mas a qualquer pessoa que queira plantar árvores cítricase usar mudas com procedência estadual e certificação fitossanitária. Além disso, foi estabelecida uma rede de vigilância em conjunto com a Emater/RS-Ascar, a fim de prestar esclarecimentos a quem tenha dúvidas ou suspeite de sintomas.
“O principal sintoma característico são os frutos assimétricos, com desenvolvimento desigual, perda de sabor e coloração, folhas amareladas. Aí sim temos um indicativo grande da bactéria que causa o esverdeamento. Nesses casos, a gente orienta o produtor ou a pessoa que identificou a entrar em contato, seja através da Emater, seja nas inspetorias de defesa agropecuária, para viabilizar a nossa ida, fazer a coleta e verificar se se trata mesmo de greening para proceder com as medidas necessárias”, orienta.
Ó esverdeamento é uma preocupação desde a sua entrada no País, em 2004. Afeta todas as espécies de citrus, causando baixas muito significativas na produtividade. Por ser uma doença incurávela identificação e erradicação das plantas infectadas são essenciais para evitar a disseminação. Embora o greening gere muita apreensão da cadeia produtiva, a maior preocupação, segundo Felicetti, é justamente a disseminação por meio das plantas sem finalidade comercial.
“Porque os pomares comerciaisem geral, utilizam mudas com garantia, com procedência e têm um cuidado maior no seu estabelecimento de pomares, ao passo que o produtor eventual, que planta para o consumo próprio, lança mão de mudas que não necessariamente estão nos registros, na certificação necessária”, reitera.
Apesar dos riscos à cadeia produtivaa doença não causa danos à saúde humana. “O problema é comercial, os frutos ficam deformados e perdem valor de mercado. Por isso, é fundamental reforçar o cuidado com a origem das mudas e a atenção aos sintomas iniciais. Qualquer suspeita deve ser comunicada aos órgãos oficiais para contenção do risco”, orienta.
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Fonte ==> Folha SP

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