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A olimpíada de matemática nasceu em São Paulo – 28/07/2026 – Marcelo Viana

A olimpíada de matemática nasceu em São Paulo - 28/07/2026 - Marcelo Viana

Uma pequena nota na página 17 da Folha de 23 de outubro de 1966 assinala a entrada do Brasil na era das competições escolares. O arquivo conservado no acervo da Folha está difícil de ler, mas o título é inequívoco: Geem lançará olimpíada de matemática moderna. Outra notícia na Folha, em 18 de setembro de 1969, bem legível, confirma que a olimpíada aconteceu em 1967, e teve sequência. “Foi aprovado ontem, no Mackenzie, o programa para as quatro séries ginasiais para a II Olimpíada de Matemática do Estado de São Paulo–OMESP a ser realizada em outubro e que deverá reunir 400 mil estudantes.”

A nota explica que a olimpíada é uma ação do Grupo de Estudos do Ensino de Matemática (Geem) de São Paulo em convênio com as autoridades estaduais de educação e cultura. “A OMESP é uma motivação extraordinária para os alunos que recebem a matemática como algo capaz de aproximá-los da ciência atual: a era dos satélites e da eletrônica”, declarou à Folha o professor Osvaldo Sangiorgi (1921-2017), idealizador da iniciativa.

Criado em 31 de outubro de 1961, sob a presidência de Sangiorgi, o Geem foi o principal divulgador no Brasil do Movimento da Matemática Moderna, que visava renovar o ensino da disciplina a partir da teoria dos conjuntos. Nos anos 1960-70, promoveu diversas ações voltadas para a melhoria do ensino da disciplina. Grupos com denominações similares atuaram em outros estados, aparentemente com menos impacto.

Seguiu-se um longo interregno até a realização, em 1977, da primeira Olimpíada Paulista de Matemática (OPM), por iniciativa do professor Shigueo Watanabe (1924-2023), físico experimental renomado e diretor-executivo da Academia de Ciências do Estado de São Paulo. A edição inaugural já alcançou a impressionante marca de 1,8 milhão de alunos! A OPM do ano seguinte foi o processo seletivo para a primeira participação do Brasil na Olimpíada Internacional de Matemática, em 1979. Aliás, foi essa situação que levou à criação da Olimpíada Brasileira de Matemática (OBM), em 1978, conforme comentei na semana passada.

Não tive a oportunidade de conhecer o professor Watanabe, mas no meu tempo na diretoria da Sociedade Brasileira de Matemática tive o prazer de trabalhar com a professora Renate Watanabe, sua esposa, que teve atuação marcante no Geem, na OPM e na OBM e foi crucial na consolidação da Revista do Professor de Matemática, mais importante publicação brasileira na área para o universo da educação básica.

Olimpíadas de outras ciências vieram na esteira do sucesso na matemática: a OBQ (química) acontece desde 1996; a OBA (astronomia), desde 1998; a OBF (física) e a OBI (informática), desde 1999. Recentemente, as olimpíadas vêm abarcando cada vez mais áreas de conhecimento, como a língua portuguesa (2008) e a educação financeira (2024).

Neste século, o movimento olímpico brasileiro alcançou escala sem precedentes a partir da criação, em 2005, da Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (Obmep), que movimenta anualmente 23,5 milhões de estudantes em todo o Brasil. Em 2018, decisão pioneira da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) integrou ainda mais as olimpíadas ao nosso sistema de ensino, ao facultar o ingresso na universidade a estudantes premiados em olimpíadas de conhecimento.



Fonte ==> Folha SP – TEC

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