Search
Close this search box.
Search
Close this search box.

Arraias-mantas são submetidas a ultrassom no oceano; veja – 07/08/2026 – Ciência

Arraias-mantas são submetidas a ultrassom no oceano; veja - 07/08/2026 - Ciência

Um aspecto fundamental sobre as arraias-mantas (Mobula birostris) permanece obscuro: onde elas dão à luz?

“A grande incógnita é saber aonde as fêmeas vão para ter seus filhotes e onde eles permanecem”, disse o ecólogo marinho Joshua Stewart, da Universidade Estadual do Oregon (Estados Unidos).

Agora, uma equipe de cientistas no México relatou o primeiro uso de exames de ultrassom subaquáticos para detectar gestações nesses animais, uma estratégia que pode ajudar a responder a pergunta inicial deste texto.

Uma espécie ameaçada, a Mobula birostris tem distribuição esparsa e percorre enormes distâncias, o que dificulta o estudo de muitos aspectos de sua reprodução.

A ecóloga marinha Madalena Cabral, do projeto Mares de México Giant Manta, liderou duas expedições, em janeiro e março deste ano. Ambas se deram na reserva marinha Parque Nacional Revillagigedo, no oceano Pacífico, a cerca de 400 quilômetros da Baixa Califórnia, no México.

Durante mergulhos para localizar mantas fêmeas, ela esperava que cada animal se acostumasse com a presença dela antes de aproximar uma sonda de ultrassom do corpo da criatura, mas sem tocá-lo. As imagens do exame eram gravadas em um iPhone 15 protegido por uma caixa estanque.

Foi preciso tempo para aprender a interpretar as imagens. Mas, certa noite, ao rever gravações, Cabral percebeu que estava diante de um feto. “Depois que você vê, não consegue mais deixar de ver”, disse ela.

Pouco depois, a ecóloga conseguiu identificar uma gestação debaixo d’água ao examinar uma manta durante um mergulho. “Ver o feto se movimentando foi uma experiência extremamente emocionante.”

A pesquisadora confirmou as gestações em três arraias-mantas. Elas receberam etiquetas de rastreamento para que seus deslocamentos possam ser acompanhados por satélite. Cabral e seus colegas descreveram o trabalho em um preprint (artigo sem avaliação de pares) publicado em junho.

As imagens de ultrassom, que mostravam fetos em vários estágios de desenvolvimento, eram incrivelmente legais, segundo o ecólogo marinho James Ketchum, da Pelagios Kakunjá, uma organização científica sem fins lucrativos que não participou da pesquisa. “Esta é a primeira vez que isso é registrado com clareza.”

No passado, cientistas identificaram arraias-mantas grávidas pela protuberância abdominal visível em um estágio avançado da gestação. Porém, uma das três grávidas analisadas no estudo não apresentava nenhum sinal externo de gravidez.

“Os sinais externamente visíveis de gravidez podem estar ausentes mesmo quando a gestação é confirmada por ultrassom”, concluíram os autores.

Cabral espera que seja possível a identificação de mais fêmeas grávidas e a marcação delas para que os deslocamentos sejam acompanhados.

Embora a mesma tecnologia de ultrassom sem contato tenha sido usada anteriormente em uma espécie menor de raias-manta-de-recife, foi a primeira vez que cientistas a utilizam em arraias-mantas.

As mantas-de-recife, que vivem em habitats costeiros e de águas mais rasas, deslocam-se menos, segundo Stewart. Além disso, os hábitos reprodutivos delas estão mais bem documentados. “É muito mais difícil sabermos isso sobre as arraias-mantas.”

A Mobula birostris tem um ciclo reprodutivo lento: dá à luz apenas um filhote a cada quatro ou cinco anos, após uma gestação. Esta última, segundo os pesquisadores, dura em torno de um ano.

Segundo Cabral, para as arraias-mantas, cada gestação “é extremamente valiosa”.



Fonte ==> Folha SP – TEC

Relacionados