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El Niño forte eleva inflação e encarece alimentos e energia

El Niño forte eleva inflação e encarece alimentos e energia

Depois de uma trégua de três meses, a inflação voltou a acelerar. Os preços tiveram alta de 4,58% nos 12 meses encerrados em setembro, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). E a intensificação do El Niño na primavera e no verão pode piorar o cenário.

Segundo o Centro de Previsão Climática da Administração Nacional dos Oceanos e da Atmosfera (CPC/NOAA, na sigla em inglês), a tendência é de que o El Niño continue ganhando força nos próximos meses. As projeções para que chegue à categoria forte a muito forte no primeiro trimestre de 2027 são de 83%, podendo ser um dos maiores desde 1950.

Os principais efeitos no campo são o aumento de umidade e de chuvas no Sul, precipitação intermitente no Centro-Oeste e secas no Norte. Especialistas consultados pela Gazeta do Povo apontam que o principal efeito será a menor oferta de alimentos.

Segundo o economista-chefe da EQI Investimentos, Stephan Kautz, o fenômeno deve acrescentar 0,40 ponto percentual ao IPCA (índice oficial de inflação do país) acumulado. No cenário mais severo, o impacto pode chegar a 1,2 ponto percentual até o primeiro semestre de 2027. Essa pressão ocorre em um contexto econômico e institucional já fragilizado.