O economista-chefe e sócio do BTG Pactual, Mansueto Almeida, cobra que o governo Lula apresente um plano fiscal para recuperar a confiança do mercado financeiro antes de 2027. Segundo ele, a sinalização de medidas para controlar o crescimento das despesas públicas pode melhorar as expectativas dos investidores e abrir espaço para a queda do dólar e dos juros e a valorização da Bolsa de Valores.
Em entrevista à CNN Brasil nesta quinta-feira (29), o ex-secretário do Tesouro Nacional afirmou que a estratégia precisa contar com o apoio do presidente da República, dos ministros e da articulação política no Congresso Nacional.
“Quando o plano fiscal for divulgado e com apoio político, enfim, de toda a política do governo, dos ministros do governo, do próprio presidente da República, isso vai ser a sinalização muito forte que pode já ocasionar uma melhora do mercado”, afirmou.
Segundo Mansueto, os investidores acompanharão não apenas o anúncio das medidas, mas também a capacidade do governo de colocá-las em prática.
Ainda assim, a simples apresentação de uma estratégia que estabeleça limites para a expansão das despesas públicas já ajudaria a recuperar a confiança.
“O mercado quer se animar, o mercado quer melhorar. Mas para o mercado melhorar, para o dólar cair, para os juros caírem e pra bolsa subir, nós precisamos do mínimo de sinalização do que será feito para melhorar as contas públicas no Brasil”, disse.
O economista defendeu que o governo apresente as diretrizes fiscais o mais rápido possível. Na avaliação dele, o país não deveria começar 2027 sem uma equipe econômica definida e sem clareza sobre as medidas que pretende adotar.
Próximo ministro da Fazenda precisará de apoio político
Mansueto também comentou o perfil que considera adequado para comandar o Ministério da Fazenda.
Segundo ele, o próximo titular da pasta precisará ter boa interlocução com o Congresso Nacional e apoio integral do presidente e dos demais integrantes do governo.
“Tem que ser alguém que tenha uma boa interlocução com o Congresso Nacional, que tenha o completo apoio do presidente da República e de toda a turma política do governo, que ele terá condições de apresentar um plano fiscal que possibilitará o controle do crescimento do gasto”, afirmou.
O economista ressaltou que o ajuste não depende necessariamente de cortes imediatos no orçamento, mas de medidas que impeçam a expansão das despesas em ritmo superior ao crescimento da economia.
“Não é corte de despesa, é controlar o crescimento da despesa para possibilitar que a inflação caia e que a gente tenha juros menores”, explicou.
Para ele, o ministro também precisará negociar as medidas com o Congresso e demonstrar que conta com respaldo político para executá-las.
Mansueto também defendeu o fortalecimento do atual arcabouço fiscal e criticou o governo por ampliar os gastos à margem das regras estabelecidas.
Despesas cresceram mais que a economia
Na avaliação de Mansueto, a dificuldade de equilibrar as contas públicas está relacionada principalmente à velocidade de crescimento dos gastos federais.
Segundo os números apresentados pelo economista, o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro avançou aproximadamente 11% nos últimos quatro anos, enquanto as despesas federais cresceram cerca de 22% no mesmo período.
Ou seja, os gastos públicos aumentaram duas vezes mais que a economia.
O problema também envolve a composição do Orçamento. Aproximadamente 90% das despesas federais são obrigatórias, o que limita a margem de manobra do governo para administrar os gastos.
Por isso, o economista defende mudanças nos mecanismos que determinam a expansão dessas despesas.
Mansueto também considera pouco desejável que o ajuste fiscal dependa de novos aumentos de impostos, diante da elevada carga tributária brasileira.
Mansueto foi cotado para eventual governo Flávio Bolsonaro
Mansueto Almeida chegou a figurar entre os nomes cotados para integrar a equipe econômica de um eventual governo Flávio Bolsonaro (PL). O economista aparecia entre as alternativas mencionadas nos bastidores para assumir o Ministério da Fazenda.
Secretário do Tesouro Nacional entre 2018 e 2020, durante os governos Michel Temer (MDB) e Jair Bolsonaro (PL), Mansueto participou da formulação e da execução da política fiscal federal. Atualmente, além de economista-chefe, é sócio do BTG Pactual.
Fonte ==> UOL