A deputada federal Gleisi Hoffmann (PT-PR) voltou a atacar o mercado financeiro nesta segunda-feira (2). Em publicação no X, a ex-presidente do PT afirmou que o mercado tem o “DNA do autoritarismo” e que, por essa razão, estaria torcendo pela eleição de Flávio Bolsonaro.
Ela defendeu que, nesse contexto, é natural que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) dialogue com pessoas que pensam diferente da Faria Lima. Segundo a petista, isso não significa que ele adotará as ideias e propostas das pessoas com quem conversa.
A publicação foi feita após controvérsia em torno do apoio de pessoas ligadas ao governo, incluindo a própria Gleisi, à redução dos juros na canetada ou ao tabelamento de juros, como a estratégia tem sido chamada. A proposta foi aventada pelo economista André Lara Resende, um dos criadores do Plano Real, em artigo publicado em setembro deste ano.
Como mostrou a Gazeta do Povo, no domingo (1º), Gleisi defendeu o artigo de Lara Resende. Em postagem no X, ela afirmou ser um texto fundamental para “enfrentar essa ofensiva terrorista sobre a política fiscal brasileira”.
No artigo Eu acuso: uma proposta para eliminar os juros absurdos, Resende defende um arranjo para a redução gradual da taxa de juros, dos atuais 13,75% para algo em torno de 7,5% ao ano. A condução da estratégia seria feita pelo Conselho Fiscal e Monetário Nacional, órgão que seria criado especificamente para esta função.
O assunto ganhou manchetes e relevância no fim de semana, após o jornal O Globo afirmar que o presidente Lula teria um “encontro marcado” com Lara Resende nesta semana.
Assim como Hoffmann, o economista José Sérgio Gabrielli elogiou a proposta de Resende. O responsável pela coordenação do plano de governo de Lula publicou um documento de 11 páginas no qual defende medidas alternativas ao que chama de “políticas de austeridade contra o eleitor”.
Por outro lado, o presidente nacional do PT, Edinho Silva, afirmou que somente o ministro da Fazenda, Dario Durigan, tem autorização para falar da política econômica. À Folha de S.Paulo ele afirmou que “especulações na área econômica não colaboram com o país”.
Críticos à proposta afirmam que a crise fiscal é um dos fatores que mantêm os juros elevados, além de defenderem que as medidas ameaçam a autonomia do Banco Central. Houve quem citasse semelhanças entre as propostas de Resende e as políticas adotadas pelo governo de Dilma Rousseff (PT) antes da recessão de 2015.
Nesta segunda (2), o próprio Durigan afirmou que não há reunião programada entre Lula e Lara Resende. Ao G1, o ministro negou que estejam sendo avaliadas propostas como tabelar juros da taxa Selic ou queimar reservas cambiais para compensar eventual saída de capitais do Brasil.
Na postagem desta segunda (2), Gleisi diz que o mercado entrou em pânico em razão do suposto encontro. Após confirmar que integrantes do governo negaram a agenda, ela argumenta que “conversar sobre um tema ou proposta não significa encampá-la”.
Segundo Gleisi, cujo mandato termina em janeiro do próximo ano, é normal que Lula converse com quem pense diferente da Faria Lima, o que não quer dizer que ele “pretenda adotar as propostas”.
VEJA TAMBÉM:
-
Cinco perguntas que a direita precisa responder para vencer em 2030
-

Trump pede que americanos impeçam os democratas de colocar extremistas e jihadistas no Congresso
Fonte ==> UOL