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Ao lado de Moro, Flávio elogia decisão de Trump e acusa Lula de defender facções | Política

Ao lado de Moro, Flávio elogia decisão de Trump e acusa Lula de defender facções | Política

O senador Flávio Bolsonaro (PT), pré-candidato à Presidência pelo PL, reforçou nesta sexta-feira (29) a estratégia de associar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a facções criminosas ao afirmar que ele estaria “defendendo a soberania do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (cv)”.

A declaração foi dada em evento em Curitiba, no Paraná, que marcou o lançamento das pré-candidaturas do senador Sérgio Moro (PL-PR) ao Governo do Paraná, além do ex-deputado federal Deltan Dallagnol (Novo-PR) e do deputado federal Filipe Barros (PL-PR) ao Senado.

Mais cedo, Lula, que deve disputar a reeleição, criticou a decisão do governo dos EUA de classificar o PCC e o CV como organizações terroristas, o que pode abrir espaço para a aplicação de sanções contra o Brasil. Na fala, o petista reforçou o discurso de defesa da soberania e afirmou “não brinquem com a soberania desse país”, o que vem sendo explorado por bolsonaristas.

O anúncio do governo de Donald Trump ocorreu dois dias após Flávio ter tido um encontro com o presidente americano, no qual, segundo o senador, ele defendeu a medida. A gestão Trump já estudava há meses adotar a classificação.

No evento no Paraná, Flávio Bolsonaro disse que Lula “ou faz parte dessas organizações, ou está sendo pressionado por elas”.

Com o discurso centrado no combate ao crime organizado e vestindo uma camiseta com os dizeres “Curitiba prendeu e Brasília soltou” — em referência ao período em que Lula ficou preso na capital paranaense —, Flávio também afirmou que a viagem realizada por Lula aos EUA, no início de maio, teve como objetivo “lamber as botas do Trump para fazer lobby ao PCC e ao CV”.

Em outro momento, o pré-candidato do PL apareceu usando um colete à prova de balas e afirmou que teme ataques por conta de sua atuação política. “Vocês estão me vendo aqui de colete à prova de balas porque eu sei do que eles são capazes. Já tentaram matar meu pai com uma facada, mas Deus colocou a mão e protegeu e ele está vivo hoje. Vão tentar fazer de novo. Não tem nenhuma dúvida”, disse.

Ao discursar no evento, Moro também elogiou a decisão dos EUA e relembrou sua passagem pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública no governo do ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo ele, ao aceitar o convite para integrar o governo em 2019, um dos principais objetivos era fortalecer o combate ao crime organizado.

“Quando fui convidado para ser ministro da Justiça e Segurança Pública, em 2019, no governo Jair Bolsonaro, foi porque nós precisávamos dar enfrentamento ao crime organizado”, afirmou.

Moro deixou o governo federal em abril de 2020 após acusar Bolsonaro de tentar interferir politicamente na Polícia Federal (PF). Na ocasião, o ex-juiz da Operação Lava Jato afirmou que o então presidente pretendia influenciar a escolha do diretor-geral da corporação e obter acesso a informações sobre investigações em andamento.

Ao se dirigir ao público paranaense, Moro também afirmou que o Estado deveria servir de exemplo para o restante do país. “Se Brasília é uma cidade de Sodoma e Gomorra, vamos mostrar que Curitiba é terra de gente honesta”, declarou. A expressão “Sodoma e Gomorra” faz referência a cidades mencionadas na Bíblia que simbolizam degradação moral, corrupção e desordem.

Já Deltan Dallagnol concentrou seu discurso em críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF). Além de puxar coros de “Fora Dias Toffoli” e “Fora Alexandre de Moraes”o ex-procurador da Lava Jato afirmou que, caso seja eleito senador, defenderá o impeachment de ministros da Corte.

Em 2023, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) cassou por unanimidade seu registro de candidatura, entendimento que levou à perda do cargo na Câmara dos Deputados.

Na ocasião, a Corte concluiu que o Dallagnol tentou contornar os efeitos da Lei da Ficha Limpa ao pedir exoneração do Ministério Público Federal enquanto ainda respondia a procedimentos administrativos que poderiam resultar em sua demissão e, consequentemente, em inelegibilidade. A decisão tornou Dallagnol inelegível por oito anos.

Mais cedo, Lula criticou a decisão americana e afirmou que o Brasil não aceitará interferências externas em temas de segurança pública. Durante cerimônia de anúncio de investimentos da Petrobrás em Sergipe, o petista declarou que o país não é uma “republiqueta” e não aceitará ser tratado como “moleque”.

Lula também fez referências diretas a Flávio. Segundo o presidente, o senador estaria buscando apoio externo para interferir em assuntos internos do país. “Marco Rubio não estava lá, possivelmente porque estivesse preparado para ajudar o filho de um bolsonarista, que é candidato à eleição aqui neste país e não tem vergonha na cara de trair a nossa pátria, falando em intervenção americana no Brasil”, afirmou.

Apesar das críticas à iniciativa dos EUA, Lula declarou que considera o PCC e o CV organizações que aterrorizam a população brasileira e defendeu que o enfrentamento das facções deve ocorrer por meio das instituições nacionais.



Fonte ==> Exame

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