O primeiro-ministro de Israel, Benjamim Netanyahuafirmou nesta quinta-feira (7) que não existe “imunidade” para os inimigos do país. A declaração se deu um dia após os militares israelenses atingirem um comandante do Hezbollah em seu primeiro ataque aos subúrbios ao sul de Beirute desde o cessar-fogo declarado no mês passado.
Israel afirmou que o ataque matou um comandante da força de elite Radwando grupo apoiado pelo Irã Hezbollah. O Hezbollah, que controla os subúrbios do sul de Beirute, ainda não divulgou qualquer comunicado sobre o ataque ou sobre a situação do comandante.
“Ele provavelmente leu na imprensa que tinha imunidade em Beirute. Bem, ele leu isso e isso não é mais verdade”, afirmou Netanyahu em comunicado.
As hostilidades entre Israel e Hezbollah foram retomadas em 2 de março, quando o grupo abriu fogo contra Israel após Teerã ser alvo de ataques americano-israelenses.
O ataque de quarta-feira aumenta a pressão sobre o cessar-fogo no Líbano, que surgiu paralelamente a uma trégua mais ampla no Oriente Médio, sendo a interrupção dos ataques israelenses no Líbano uma exigência central do Irã nas negociações com Washington.
Anunciado em 16 de abril pelo presidente dos EUA, Donald Trumpo cessar-fogo no Líbano reduziu as hostilidades: a região de Beirute não era alvo de bombardeios israelenses havia semanas antes do ataque desta quarta-feira.
Mas os dois lados continuam trocando ataques no sul do país, onde Israel criou uma autodeclarada zona de segurança.
Netanyahu afirmou que o comandante do Hezbollah, identificado pelos militares israelenses como Ahmed Ali Balout“pensava que poderia continuar coordenando ataques contra nossas forças e nossas comunidades a partir de seu quartel-general terrorista secreto em Beirute”.
“Digo aos nossos inimigos da maneira mais clara possível: nenhum terrorista tem imunidade”, declarou.
Enquanto Israel e Hezbollah seguem em guerra, os Estados Unidos já sediaram duas rodadas de negociações entre os embaixadores libanês e israelense em Washington — os contatos de mais alto nível entre representantes governamentais dos dois países em décadas.
Uma autoridade do Departamento de Estado americano afirmou que representantes de Israel e do Líbano realizarão uma terceira rodada de negociações em Washington nos dias 14 e 15 de maio.
O cessar-fogo no Líbano foi inicialmente anunciado por 10 dias e depois prorrogado por mais três semanas durante o segundo encontro entre os embaixadores israelense e libanês em Washington, organizado por Trump no Salão Oval.
O Hezbollah se opõe fortemente aos contatos do governo libanês com Israel, que refletem profundas divergências entre o grupo e seus críticos no Líbano.
Mais de 2.700 pessoas morreram na guerra no Líbano desde 2 de março, segundo o Ministério da Saúde libanês. Cerca de 1,2 milhão de pessoas foram deslocadas de suas casas, muitas fugindo do sul do país.
Israel afirma que 17 de seus soldados morreram no sul do Líbano, além de dois civis no norte israelense. Ao menos 11 pessoas morreram em ataques israelenses em três áreas diferentes do sul do Líbano na quarta-feira, segundo balanço do Ministério da Saúde do país.
O Hezbollah afirmou ter realizado 17 operações contra forças israelenses no sul do Líbano na quarta-feira, enquanto os militares israelenses disseram ter atingido mais de 15 alvos de infraestrutura militante na região no mesmo dia.
Os militares israelenses afirmam que o Hezbollah disparou centenas de foguetes e drones contra Israel desde 2 de março.
O Hezbollah afirma ter o direito de resistir às forças israelenses que ocupam o sul do Líbano.
A zona controlada por Israel se estende até 10 km dentro do território libanês. Israel diz que busca proteger o norte do país contra militantes do Hezbollah instalados em áreas civis.
Trump afirmou no mês passado que espera receber Netanyahu e o presidente libanês Joseph Aoun em breve, acrescentando ver “grande chance” de os países alcançarem um acordo de paz ainda neste ano.
Mas na quarta-feira o primeiro-ministro libanês Nawaf Salam disse que ainda é prematuro falar em qualquer reunião de alto nível entre Líbano e Israel e afirmou que consolidar o cessar-fogo será a base para novas negociações entre enviados dos dois governos em Washington.
Fonte ==> Exame