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Artemis e Apollo compartilham prédio e lições de física – 03/04/2026 – Ciência

Equipe de controle da missão Artemis sentada em estações de trabalho com múltiplos monitores, observando dados e mapas em telas grandes na parede. Painéis exibem trajetórias orbitais, informações técnicas e logotipos da missão Artemis e NASA. Ambiente interno com iluminação baixa e foco nas telas.

Enquanto os astronautas da missão Artemis 2 viajam a milhares de quilômetros de distância rumo à Lua, uma equipe da Nasa em terra cuida da jornada deles. Para a tarefa, a equipe em terra dispõe de tecnologia de última geração e se baseia em lições herdadas do programa Apollo.

Uma equipe de engenheiros e técnicos monitora uma centena de telas no Centro Espacial Johnson, em Houston, no Texas, sul dos Estados Unidos. Dali se mantém a comunicação com a Orion, que deve chegar à órbita da Lua na segunda-feira (6) e iniciar, em seguida, o retorno à Terra, somando um percurso total de até 800 mil quilômetros.

O centro da operação é a Sala de Controle de Voo White. Ali fica o escritório dos diretores de voo Judd Frieling e Rick Henfling.

Perto deles, vê-se o console do CapCom (comunicador da cápsula), de onde o experiente astronauta Stan Love transmite instruções, atualizações de voo e decisões do diretor de voo aos astronautas a bordo: os americanos Reid Wiseman, 50, Victor Glover, 49, e Christina Koch, 47, e o canadense Jeremy Hansen, 50.

“A equipe de controle da missão é muito bem capacitada e é formada por especialistas nos sistemas que vão supervisionar a nave. Trabalham há anos para obter a capacitação necessária e desempenhar esse papel na primeira linha”, afirmou à AFP Kylie Clem, funcionária do escritório de comunicações da Nasa, atrás de uma vidraça de onde se pode observar a operação.

“Cada pessoa vista na sala conta com colegas que trabalham nos bastidores, dando-lhes apoio. Portanto, são várias as pessoas que supervisionam todos os dados e a informação para dar suporte à missão”, acrescentou ela.

Foi nesse mesmo centro espacial que, em 20 de julho de 1969, chegou a mensagem que tranquilizou milhões de americanos: “Houston, aqui é a base Tranquility. O Eagle alunissou”.

Era Neil Armstrong (1930-2012), na chegada da missão Apollo 11 à Lua, antes de proferir a frase que ficaria famosa: “Um pequeno passo para o homem, um grande salto para a humanidade”.

Mais tarde, em 13 de abril de 1970, outra mensagem encheu as pessoas de angústia durante a Apollo 13: “Houston, tivemos um problema aqui”, pronunciada por Jack Swigert (1931-1982), após a explosão de um tanque de oxigênio, que obrigou abortar o pouso na Lua. No filme sobre a missão, a frase é atribuída a Jim Lovell (1928-2025).

“Todas as nossas salas de controle de missão ficam no mesmo edifício. Embora diferentes alas tenham sido modificadas ao longo dos anos, estamos no mesmo prédio que a sala histórica da missão Apollo, a sala de controle de voo da Estação Espacial Internacional e esta sala onde estamos agora”, explicou Clem.

Formas clássicas

A Artemis 2 é a primeira missão lunar tripulada desde a Apollo 17, em dezembro de 1972. Mais de meio século depois, a tecnologia resultou em melhorias.

“Sem dúvida mudou a capacidade de processamento e a quantidade de software; temos mais de 900 mil linhas de código. Acho que a capacidade da tripulação para interagir com os sistemas em um nível muito profundo por meio das telas é fundamental. E, logicamente, contamos com procedimentos eletrônicos que nos permitem prescindir do papel”, afirmou Howard Hu, diretor do programa Orion, da Nasa.

Além disso, a capacidade dos sensores, o GPS, “a capacidade de saber exatamente onde estamos no espaço, a precisão com a qual podemos realizar manobras de encontro e acoplamento, inclusive com uma câmera, representam um grande avanço tecnológico”, acrescentou ele.

E a nave cresceu para levar não três, como nas missões Apollo, mas quatro ocupantes, compactando componentes e mantendo a mesma funcionalidade.

As missões Apollo se aproximaram da perfeição com uma nave em forma de cone que garante estabilidade durante a reentrada na atmosfera. E a Artemis se apoia nesse conceito.

“A física não muda. A forma de lágrima [da nave] é muito eficiente do ponto de vista aerodinâmico. Os gênios do programa Apollo eram excelentes engenheiros técnicos, e a engenharia e a física não mudam, sendo assim aprendemos muito com eles quanto aos seus conhecimentos e os aproveitamos”, disse Hu.



Fonte ==> Folha SP – TEC

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