A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, avisou aos líderes dos 27 países da UE que a assinatura do acordo comercial com o Mercosul ficará para janeiro, e não mais no sábado em Foz de Iguaçu como inicialmente previsto, segundo informações de diplomatas europeus em Bruxelas.
De fato, essa possibilidade circulava em Bruxelas, depois depois que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou ter conversado com a chefe do governo italiano, Giorgia Meloni, que pediu para o Mercosul esperar um pouco mais até ela conseguir atenuar queixas dos agricultores. No entanto, os líderes continuam reunidos e não há confirmação oficial, ainda, de posição final dos europeus.
Lula, que tinha ameaçado não mais assinar o acordo em seu governo, se isso não ocorresse no sábado, prometeu a Meloni que discutiria a demanda com os parceiros do Mercosul. O chamado ‘’presente de Natal do Mercosul’’ mencionado por algumas lideranças europeias se esvaiu diante da resistência persistente da França e no momento também da Itália.
A reunião dos líderes europeus ocorre em meio a enormes pressões dos agricultoresque levaram 10 mil manifestantes com mais de 150 trattores, bloqueando ruas de Bruxelas e ameaçando avançar até a sede do Conselho Europeu.
Durante o dia, Von der Leyen insistiu junto a líderes europeus a aprovarem a conclusão do acordo. “É de enorme importância que obtenhamos luz verde para o Mercosul e que possamos concluir as assinaturas para o Mercosul”, afirmou ela.
A Alemanha, que é um dos países que mais tem a ganhar, endureceu o discurso. Sepp Müller, vice-presidente do grupo parlamentar conservador do chanceler Friedrich Merz no Bundestag, fez uma advertência direta aos que estão impedindo o acordo comercial entre a UE e o Mercosul: Sem tais acordos, a Alemanha não poderá pagar mais aos cofres da UE.
“A Alemanha é uma nação exportadora, da qual, aliás, todos os outros países da UE também se beneficiam”, disse ele a jornalistas. ‘’Se a Alemanha não voltar a ser uma nação exportadora forte, não seremos capazes, econômica e financeiramente, de arcar com quaisquer encargos adicionais para um quadro financeiro plurianual crescente”, acrescentou, referindo-se à proposta de orçamento de 2 trilhões de euros da Comissão Europeia para 2028-2034, em discussão.
Mas Emmanuel Macron, presidente da França, ao chegar para a reunião, repetiu a mesma ladainha: ‘’ Sobre o Mercosul, consideramos que o acordo não é satisfatório e que não pode ser assinado (…) Não podemos aceitar sacrificar a coerência da nossa agricultura, da nossa alimentação’’. E voltou a aumentar demandas para barrar produtos do Mercosul, na série sem fim de exigências.
Fonte ==> Exame