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Caçadores de mamutes na Era do Gelo atacavam mais fêmeas – 02/08/2026 – Ciência

Caçadores de mamutes na Era do Gelo atacavam mais fêmeas - 02/08/2026 - Ciência

Os caçadores de mamutes-lanosos na Era do Gelo tinham um alvo preferencial: as fêmeas. A constatação é de uma pesquisa, publicada na última quinta (30) na revista Current Biology, com base em dados genéticos de ossos acumulados por humanos em sítios na Polônia, Áustria, República Tcheca, Alemanha e Rússia.

A análise dos ossos encontrados nesses locais, onde eram acumulados, indicou que a maioria dos espécimes (70%) eram fêmeas e uma minoria (30%), machos. Em ambientes naturais, a proporção se inverte: mais ossos de machos (66%) e menos de fêmeas (34%).

Ao todo, os pesquisadores analisaram o DNA antigo de 521 mamutes, sendo 421 de ambientes naturais e o restante dos sítios onde eram acumulados.

O que explicaria a disparidade entre os sexos?

“Essa é uma ótima pergunta, e ainda estamos investigando”, respondeu Hannah Moots, pesquisadora de pós-doutorado no Centro de Paleogenética, uma colaboração entre a Universidade de Estocolmo e o Museu Sueco de História Natural. Ela é a autora principal do novo estudo.

“Uma possibilidade é que, se os mamutes-lanosos viviam em manadas lideradas por fêmeas como os elefantes modernos, esses grupos podem ter se deslocado pela paisagem de maneiras mais previsíveis e sazonais. Hoje, as manadas de fêmeas de elefantes têm áreas de vida e padrões de movimento relativamente estáveis, enquanto os machos adultos são mais solitários e frequentemente vagam por áreas muito mais amplas. Essa previsibilidade pode ter tornado as manadas lideradas por fêmeas mais fáceis de serem localizadas repetidamente pelos povos da Era do Gelo”, explicou Moots.

As manadas eram muito provavelmente matriarcais, formadas por fêmeas adultas e filhotes de ambos os sexos.

“Também se pode especular que seria mais fácil encurralar uma manada com filhotes, onde as fêmeas teriam relutância em fugir”, disse o geneticista Love Dalén, do Centro de Paleogenética, coautor do estudo.

Dalén observou que as fêmeas de mamute geralmente eram menores que os machos e talvez um pouco mais fáceis de matar. Um macho adulto pesava até 6 toneladas e media até 3,4 metros de altura na cernelha, em comparação com 4 toneladas e 2,9 metros para uma fêmea adulta.

Os povos que habitavam as regiões dos mamutes eram caçadores-coletores nômades. Eles coletavam plantas comestíveis e caçavam diversos mamíferos da Era do Gelo, entre os quais rinocerontes-lanudos, caribus, bisões e cervos. Alguns dos ossos de mamute encontrados nos locais onde eram acumulados tinham pontas de projéteis cravadas neles.

Os mamutes-lanosos eram um alvo de caça favorito dos povos da Era do Gelo na Eurásia e na América do Norte por diversas razões. Um único animal fornecia uma grande quantidade de carne e gordura. Além disso, a pele poderia ser usada para confecção de roupas; ossos e presas, para moldar ferramentas, armas e objetos de arte; e ossos maiores, para estruturar abrigos ou outras estruturas.

TÁTICAS DE CAÇA

A própria paisagem pode ter sido usada contra os mamutes, com os caçadores conduzindo-os para armadilhas ou perigos naturais, como penhascos ou pântanos.

“Acredito que os humanos antigos provavelmente caçavam mamutes usando o terreno a seu favor. Por exemplo, posso imaginar que usassem características da paisagem, como lama ou pântanos, para ajudar a imobilizar os animais antes de atacá-los com lanças, dardos ou flechas”, afirmou o geneticista David Díez-del-Molino, do Centro de Paleogenética, coautor do estudo.

O maior sítio de caça a mamutes do estudo foi chamado de Kraków Spadzista, no sul da Polônia, datando de cerca de 25 mil a 30 mil anos atrás. O local contém os restos de mais de cem mamutes, ferramentas de pedra e evidências de abate dos animais.

Os mamutes desapareceram da América do Norte continental e da Eurásia há cerca de 10 mil a 12 mil anos, no final da Era do Gelo, quando o clima aqueceu rapidamente e as pastagens abertas onde se alimentavam foram substituídas por florestas e tundra úmida. O papel dos humanos na extinção desses animais é motivo de debate.

Os últimos mamutes habitaram a Ilha Wrangel, um posto avançado isolado na costa da Sibéria, antes de desaparecerem há cerca de 4.000 anos. Outras pesquisas mostraram que, apesar de seu pequeno tamanho e altos níveis de endogamia, essa população permaneceu estável até pouco antes de sua extinção.

No novo estudo, os pesquisadores identificaram um mamute da ilha Wrangel com uma combinação de cromossomos sexuais que o tornava nem biologicamente fêmea nem biologicamente macho. “Não está claro se isso está relacionado de alguma forma ao pequeno tamanho da população da ilha, ou se é simplesmente um evento de desenvolvimento que poderia ter ocorrido em qualquer população de mamutes”, disse Moots.



Fonte ==> Folha SP – TEC

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