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Cai para quase a metade projetos eólicos offshore gaúchos no Ibama

Cai para quase a metade projetos eólicos offshore gaúchos no Ibama

Em cerca de um ano, de março de 2025 a fevereiro de 2026, reduziu para praticamente a metade o número de projetos de energia eólica offshore (no mar) a serem desenvolvidos na costa gaúcha e que possuem processo de licenciamento ambiental tramitando no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). A quantidade dessas iniciativas saiu de 31 para 17.
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Essa situação também se refletiu na diminuição da potência instalada prevista com o conjunto dessas usinas. Anteriormente, eram 78.698 MW e a divulgação mais recente do Ibama aponta para 47.379 MW. De qualquer forma, ainda são números impressionantes já que o resultado mais recente representa mais de dez vezes a média da demanda elétrica do Rio Grande do Sul. Além disso, os gaúchos continuam liderando o ranking na questão de quantidade e potência instalada de projetos eólicos offshore sendo analisados no Ibama (em segundo lugar está o Ceará).
O órgão ambiental detalha que as iniciativas foram arquivadas devido à ausência de movimentação processual por parte das companhias responsáveis, por período superior a dois anos. O Ibama ressalta, em nota, que “previamente ao arquivamento, as empresas foram devidamente oficiadas, no âmbito dos respectivos processos administrativos, para que se manifestassem quanto ao interesse na continuidade do licenciamento ambiental dos empreendimentos”. Entre as empresas que tinham projetos previstos na costa gaúcha, mas já não constam mais na última relação divulgada pelo Ibama, estão Nenoenergia, Shell e TotalEnergies no Brasil.
UM presidente do Sindicato da Indústria de Energias Renováveis do Rio Grande do Sul (Sindienergia-RS), Daniela Cardeal, atribui o enxugamento dos projetos, entre outros fatores, à insegurança jurídica. Ela frisa que, durante as discussões da evolução regulatória do setor, algumas questões ficaram em aberto como, por exemplo, a modelagem das cessões das áreas. “Então, toda essa insegurança jurídica tirou players que estavam apontando áreas de intenção (para investimentos)”, comenta a dirigente.
Daniela frisa que esse recuo não significa que essas empresas não vão mais investir no Rio Grande do Sul ou no País, contudo demonstra que é preciso ter um ambiente político transparente, com todas as regras claras e definidas. No caso específico do Rio Grande do Sul, a representante do Sindienergia-RS alerta que a criação do Parque Nacional Marinho do Albardãona região de Santa Vitória do Palmar, pode causar dificuldades para complexos que queiram se instalar naquela parte do Estado.
“O que precisamos são dos primeiros projetos, porque eles acontecendo, a gente forma uma indústria forte, se capacita uma mão de obra e mostra a viabilidade de construir no Brasil”, argumenta Daniela. O cenário nacional demonstra que a perda de apetite por parte dos investidores no setor eólico offshore não é uma situação restrita ao Rio Grande do Sul.
No total do País, em março do ano passado eram 104 empreendimentos dessa natureza com processos dentro do Ibama, já em fevereiro de 2026 reduziram para 59. A soma da capacidade instalada desses complexos caiu de 247.354 MW, para 134.255 MW. O Ceará, que sempre é um estado que disputa com o Rio Grande do Sul a primeira posição nesse ranking, diminuiu de 26 projetos para 16, no mesmo período. Já a soma da potência dos complexos cearenses foi de 66.367 MW, para 36.187 MW.



Fonte ==> Folha SP

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