Em meio a uma crise em sua pré-campanha, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) usou nesta sexta-feira (15) um evento em Campinas (SP) para reiterar que disputará a Presidência e disse que foi “convocado” pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Ao participar do lançamento da pré-candidatura do deputado federal Guilherme derrete (PP) ao Senado por São Paulo, Flávio tentou minimizar o desgaste político enfrentado após a divulgação de uma conversa com o ex-banqueiro Daniel Vorcarona qual pediu dinheiro para financiar um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Ao lado do governador do Estado, Tarcísio de Freitas (Republicanos), o senador repetiu, por algumas vezes, que representará seu pai nas urnas e disse que, se eleito, o ex-presidente “subirá a rampa” do Palácio do Planalto com ele. Bolsonaro, no entanto, está preso.
“No momento que meu pai me convocou para o lugar dele – e era ele que tinha que estar aqui para enfrentar essa missão –, eu sabia das dificuldades que teria. Sabia que não seria fácil”, disse, a uma plateia de apoiadores no interior paulista. “Espero, pai, e a gente vai te honrar… A gente vai te libertar e você vai subir aquela rampa, pai, junto com a gente, em janeiro de 2027.”
No evento, um dos jingles repetia a frase “eu vou com a família Bolsonaro, é com eles que eu vou”.
Flávio tentou afastar rumores de que poderá ser substituído na disputa presidencial, se a crise gerada por sua ligação com o ex-banqueiro, dono do Banco Master, se agravar. “Eu estou mais motivado do que nunca”, afirmou. “Sabe, Tarcísio, quando a verdade está do nosso lado, que a gente fez a coisa certa, que a gente sabe o inimigo que vai enfrentar, isso nos motiva. Marretada neles”, disse.
Flávio voltou a falar que o filme sobre Bolsonaro recebeu recursos privados, evitou citar o nome de Daniel Vorcaro e atacou a Lei Rouanet. “Fazer filme está na moda, gente, só que tem algumas diferenças. Quando um filho quer fazer um filme em homenagem ao próprio pai… O Bolsonaro merece ou não merece um filme? Ele merece e a gente vai fazer. E a gente busca recursos privados, tudo certo, direitinho, dentro da lei. Óbvio que lá atrás a gente não imaginava que o investidor seria… Que chegaria no momento que está hoje”, afirmou, sem citar Vorcaro, que está preso. Ao mencionar a reportagem do Intercept Brasil que revelou o pedido de recursos que fez ao ex-banqueiro, atacou o veículo de imprensa.
“Tem filme que é com dinheiro privado. Tem filme que é com dinheiro público, que coloca dinheiro do imposto do trabalhador. Esse dinheiro público é usado para fazer propaganda política para o atual presidente. A gente não tem Lei Rouanet. Eu não posso pedir dinheiro público para fazer desfile de escola de samba, que foi propaganda política antecipada e ainda zomba das famílias brasileiras”, afirmou.
Ao cumprimentar os políticos presentes, Tarcísio dirigiu-se a Flávio como o “próximo presidente da República”. Em seu discurso, o governador de São Paulo disse que o futuro do país “nunca vai chegar com tantos anos de administração do PT”. “É impossível”, disse, ao criticar a execução do orçamento federal e as altas taxas de juros. Como contraponto, mencionou ações de sua gestão e disse que o principal problema do Brasil atualmente é a “crise de liderança” e convocou a plateia a dar “um cartão vermelho” para o PT.
Tarcísio disse que Flávio precisa “resgatar o projeto” de Jair Bolsonaro. “E esse projeto agora está nas mãos do seu filho, Flávio Bolsonaro”, afirmou. O governador disse que Flávio acompanhou “cada passo” do pai e queixou-se de não receber apoio do governo federal no Estado. “Eu fico imaginando o quanto investimentos vai chegar em São Paulo com Flávio Bolsonaro na Presidência”, disse.
Ex-secretário de Tarcísio e pré-candidato ao Senado, Guilherme Derrite elogiou Flávio, Jair e Eduardo Bolsonaro. Em seu discurso, defendeu a união da direita na disputa pelo Senado em São Paulo. “Temos que trabalhar unidos, em grupo. Um único bloco, único time”. Derrite defendeu a anistia aos condenados por atos golpistas, e afirmou que a direita precisa “fazer maioria no Senado para eleger um presidente do Senado conservador, de direita.”
O vereador Carlos Bolsonaro e o ex-deputado Eduardo Bolsonaro enviaram mensagens de vídeo com apoio a Derrite. Pré-candidato ao Senado, o presidente da Assembleia paulista, André do Prado (PL), também discursou no evento. O senador Sergio Moro (PL), pré-candidato ao governo do Paraná, tratou Flávio como “futuro presidente”.
Fonte ==> Exame