O início de um conflito armado entre EUA e Irã no território do país persa tem potencial para abalar o mercado financeiro global. Os impactos seriam sentidos em cascata pela economia brasileira em algumas frentes, mas nenhuma delas passa pela relação comercial do Irã com o Brasil.
O Irã e o Brasil mantêm fluxo comercial bilateral com exportação de produtos agrícolas e importação de itens como ureia e pistache — mas não são importantes parceiros comerciais.
Em 2025, essa relação de importação e exportação somou US$ 3 bilhõeso que equivale a aproximadamente 0,04% do comércio internacional brasileiro no ano (de US$ 628 bilhões), segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).
- US$ 84,5 milhões em importações do Irã, com ureia, pistache e uvas secas em destaque
- US$ 2,9 bilhões em exportações para o Irã, com milho, soja e açúcar em maiores volumes
Nesse sentido da relação comercial, os efeitos sentidos seriam limitados, explica Felipe Camargo, economista-chefe de mercados emergentes na Economia de Oxford. “Acredito que preços poderiam subir, mas não há razão para acreditar em bens importados que não poderiam ser substituídos”, diz.
Estreito de Ormuz é o mais importante
A preocupação global é, na verdade, pela manutenção da rota marítima pelo Estreito de Ormuzdiz Camargo. O estreito fica localizado entre o Irã e o Omã e tem de 55 a 95 km de largura. É por ele que passa cerca de 20% do consumo global diário de petróleo e do fornecimento mundial de gás natural liquefeito.
O Irã já ameaçou o fechamento total da via marítima algumas vezes, mas isso nunca se concretizou. O que aconteceu foram fechamentos parciais, como o anunciado em fevereiro para exercícios militares de tropas da Guarda Revolucionária iraniana.
Um bloqueio da via marítima interromperia o fornecimento de regiões com grande consumo de energia, como China e Europao que resultaria na elevação dos preços do petróleo e potencialmente em uma desestabilização da economia global.
“Um barril de petróleo mais caro pode reduzir as expectativas de corte de juros pelo Fed (banco central americano), que, por sua vez, pressiona pela valorização do dólar americano”, explica Camargo.
As consequências para o Brasil seriam mistas, diz o especialista. Segundo Camargo, o efeito de curtíssimo prazo seria visto na inflação e nos juros brasileiros. No médio prazo, diz o economista, teríamos algum aumento nas margens das empresas de petróleo — Petrobras inclusa.
“Pode ser que haja impacto positivo na arrecadação federal também, já que combustíveis são muito tributados e o efeito na demanda é relativamente inelástico ( isto é, um produto que as pessoas tendem a continuar comprando mesmo se o preço subir)”
Os efeitos, porém, podem ser de maior ou menor intensidade, pois “o tamanho desse choque no preço do barril depende da intensidade e tempo de fechamento do estreito”.
Fonte ==> Exame