Especial para o JC
Ó investimento em Inteligência Artificial (IA) totalizou US$ 1,757 trilhão em 2025segundo a consultoria estadunidense especializada em tecnologia, a Gartner. Diante do montante gigantesco, os analistas têm se debruçado sobre diversos indicadores econômicos com a seguinte questão em mente: a indústria de IA está diante de um boom econômico ou de uma bolha financeira?
De um modo geral, a tese da bolha teme que os modelos de negócios de IA possam não dar o devido retorno aos investimentos trilionários dentro de um prazo razoável. A ideia é que, quanto mais investimentos forem recebidos pelas empresas de IA, maior deve ser a lucratividade para pagar os investidores dentro do prazo combinado. Hoje a receita das empresas de IA ainda é pálida em comparação ao volume de investimentos.
Por outro lado, a tese do boom econômico aposta que a IA vai aumentar a produtividade das empresas que adotarem essa tecnologia, acelerando o crescimento econômico nos próximos anos. A geração de mais riqueza seria o suficiente para pagar os investimentos e acelerar o crescimento do PIB global. Seria um processo semelhante ao de outras tecnologias revolucionárias na história moderna, como a instalação das malhas ferroviárias ao longo do século 19
“A IA é uma tecnologia disruptivacomo as ferrovias no século XIX. Para entender o boom econômico gerado pelas ferrovias, basta lembrar que as pessoas se transportavam de carroça antes dos trens. A IA também tem esse componente do boom, relacionado ao desenvolvimento de novas tecnologias no capitalismo. E quem não entra nesse processo fica para trás. Por outro lado, também há um componente de bolha na IA. Afinal, não há uma ancoragem efetiva em termos de rentabilidade desses investimentos”, compara o professor de Economia da Ufrgs Alessandro Donádio.
De qualquer forma, a Inteligência Artificial está cada vez mais presente no cotidiano do século XXI. Essa tecnologia completa as frases digitadas no celular, sugere conteúdo personalizado tanto nas redes sociais quanto nas plataformas de streaming e, mais recentemente, com o lançamento da IA generativa, produz conteúdo em texto, áudio, imagem e vídeo.
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Por isso, as sete maiores empresas tecnológicas do mundo – Google, Meta, Amazon, Microsoft, Apple, Tesla e Nvidia – têm investido centenas de bilhões de dólares em Inteligência Artificial. Mas essa indústria também inclui novos participantes, como as companhias dedicadas exclusivamente à IA generativa – como a OpenAI e a Anthropic (proprietárias do ChatGPT e Claude, respectivamente). Em junho, a SpaceX entrou para a história como o maior IPO (Initial Public Offering) da bolsa de valores, ao prometer aos acionistas a construção de data centers para IA no espaço.
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Investimentos em data centers devem chegar a US$ 6,7 trilhões até 2030
Os investimentos em Inteligência Artificial (IA) devem continuar crescendo rapidamente nos próximos anos, porque a adoção cada vez maior da IA deve triplicar a demanda por capacidade computacional e energia elétrica no mundo nos próximos quatro anos. Segundo a consultoria estadunidense especializada em tecnologia, a McKinsey & Company, essa tecnologia exigirá um investimento de cerca de US$ 6,7 trilhões em data centers para acompanhar a demanda computacional até 2030.
“Nossa projeção mostra que, até 2030, os data centers precisam investir US$ 6,7 trilhões no mundo para acompanhar a demanda por capacidade computacional. Os data centers que processam demandas de Inteligência Artificial devem necessitar de um capital de US$ 5,2 trilhões, enquanto os que processam demandas tradicionais de tecnologia da informação (como servidores de e-mail, hospedagem de sites e armazenamento em nuvens) devem demandar US$ 1,5 trilhão”, mencionam Jesse Noffsinger e outros cinco analistas que assinam o estudo da McKinsey & Companhia.
Centros de dados consumirão 219 gigawatts nos próximos anos teste1
Em 2025, a Inteligência Artificial já consumiu mais demanda computacional do que todas as outras atividades ligadas à tecnologia da informação. No ano passado, os data centers consumiram 82 gigawatts de energia para processar dados: 44 gigawatts para a demanda relacionada à IA, e 38 gigawatts para outras demandas.
A projeção é de que, em 2030, os data centers necessitem de 219 gigawatts: 156 para a demanda da IA, e 64 para outras demandas. Embora parte do investimento em infraestrutura seja feito pelo setor público, as empresas de IA tendem a se endividar mais para garantir a capacidade de processamento de dados – o que pode adicionar mais risco à formação de uma bolha financeira nesse setor.
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Fonte ==> Folha SP