A Watch, que oferece serviço de streaming para provedores de internettem aumentado sua presença pelo Brasil, inclusive no Rio Grande do Sul. No estado gaúcho, 80 empresas de internet utilizam seus serviços.
Nesta entrevista, Mauricio Almeida, que fundou a Watch em 2017, em Curitiba, enfatiza que, apesar de focar em vendas B2B2C, a comunicação visa engajar o usuário finalincentivando-o a demandar a solução dos provedores parceiros. Embora ainda utilize principalmente a publicidade programática de forma ampla, a empresa planeja uma ofensiva direcionada a anunciantes regionais a partir de abril, especialmente no Rio Grande do Sul, reconhecido por grandes marcas.
Além disso, a companhia, que recentemente passou por uma reestruturação societária com a entrada de um novo investidor e cresceu mais de 50% em faturamento no último ano, está empenhada na internacionalização e no desenvolvimento de uma tecnologia disruptiva para áudio e rádioalgo que nem mesmo o Google possui. A novidade chama-se Awdio, e inclui audiobooks também.
A Watch disponibiliza pacotes diversificados, incluindo Globo (afiliadas locais e canais fechados como GE TV, Sportv, Multishow, GNT), HBO Max, ESPN, Telecine, Premiere, Combate entre outros canais, emissoras e estúdios.
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Confira mais detalhes na entrevista abaixo.
Empresas & Negócios – Como a Watch está presente no Rio Grande do Sul?
Mauricio Almeida – Estamos muito bem no Sul, com cerca de 80 provedores. Em relação à publicidade local, estamos trabalhando de forma programada, num momento de integração e testes, fazendo as vendas diretas ainda, mas sabemos, pelas conversas que a gente tem com os provedores, que existe um interesse muito grande, principalmente de anunciantes regionais e locais, em ter a alternativa de anunciar de uma forma mais objetiva, com mais dados para isso, com uma entrega mais hiperlocalizada. A ideia é que dentro do projeto Copa do Mundo a gente já possa ir se aproximando desses anunciantes locais. Acredito que a partir de abril a gente tenha uma ofensiva mais voltada às marcas regionais. E o Rio Grande do Sul, tradicionalmente, tem grandes anunciantes, como Tramontina, Gerdau, Grendene, Zaffari.
E&N – Qual o tamanho da empresa e como está a internacionalização, que se iniciou por Lisboa?
Almeida – A gente hoje passou de 250 colaboradores. E acabamos de ter um novo investidor. Tínhamos investimento do grupo Multilaser, de São Paulo. Recompramos as ações e entrou um family office chamado Indiana, também de São Paulo. Estamos justamente agora nessa reestruturação societária para que, a partir do ano que vem, a gente comece a divulgar números de faturamento.
E&N – Mas vocês não vêm crescendo?
Almeida – Olha, até 2024, a gente cresceu mais de 100% ao ano. Aí, obviamente, quanto maior, mais difícil fica manter esse ritmo. Mas nesse ano, com certeza, a gente passa de 50% de crescimento em relação ao ano passado de faturamento.
E&N – Embora vocês sejam um negócio B2B, há interesse também em ficar mais conhecido do público final?
Almeida – Na verdade, a nossa estratégia, a nossa venda é B2B2Cmas a nossa comunicação é B2C. Porque, para nós, quanto mais o usuário final estiver engajado, melhor. Então, a gente tem uma atuação bastante forte conversando com o assinante para que ele nos demande junto aos provedores. E até dando suporte aos provedores para que eles trabalhem também a comunicação deles voltada ao consumidor. Nossa comunicação é muito focada em geração de valor para o cliente do nosso cliente. A gente conversa com quem está assistindo.
E&N – Como vocês veem o futuro da empresa?
Almeida – Essa parte de internacionalização é algo que a gente está bastante empenhado, com presença para a Europa. Também temos a questão da mídia programática para rádio, para áudio, que é uma novidade. Estivemos, dias atrás, em Nova York apresentando para o Google, que não tem isso. É algo que vai ser completamente disruptivo, pois o rádio foi a mídia que ficou para trás, funcionando do mesmo jeito desde sempre. E a gente tem uma tecnologia que consegue aplicar áudio no streaming para rádios do Brasil através dos nossos aplicativos e das nossas soluções. Porque, além do aplicativo do usuário final, a gente tem uma solução completa para as rádios.
E&N – Quais serão as tendências do mercado?
Almeida – A orquestração da distribuição, a hiperpersonalização impulsionada por IA e a consolidação dos modelos híbridos de monetização estão entre as principais tendências que devem redefinir o segmento de streaming em 2026. O setor avança para um modelo no qual a entrega de conteúdo já não simplesmente é: é preciso orquestrar catálogos, dados, recomendações e múltiplos serviços para criar uma jornada contínua e de alto valor. Plataformas deixam de operar como silos e passam a agir como hubs inteligentes — integrando estúdios, canais e provedores em um ecossistema único. A Watch já nasce dentro dessa lógica: atuando como agregadora para provedores de internet (ISPs), a empresa disponibiliza uma solução centralizada que simplifica o acesso, amplia opções e aumenta o engajamento dos assinantes. Distribuir por distribuir não faz efeito.
E&N – O que mudou no comportamento das pessoas ao consumir conteúdo?
Almeida – Segundo dados da Gracenote (unidade de negócios Nielsen especializada em metadados de conteúdo), a média global de tempo em pesquisa de conteúdo dobrou nos últimos 5 anos. Nos Estados Unidos, enquanto em 2019 o usuário levava, em média, 7 minutos pesquisando conteúdos, em 2025 esse tempo saltou para 14 minutos, reflexo do FOMO (“Fear of Missing Out”) — a sensação de que há tanta coisa para ver que nunca escolhemos o melhor. Orquestrar é ter uma curadoria personalizada, é criar para o espectador uma apresentação que faça sentido naquele momento.
E&N – Como a IA ajuda nesse processo?
Almeida – A personalização passa a se basear não apenas no comportamento do usuário dentro do serviço, mas também em sinais externos, autorizados, que enriquecem as chamadas personas de consumo. A IA generativa permite compreender perfis distintos de um mesmo assinante — como o modo família, o modo esportes, o modo viagens — e adaptar recomendações em tempo real. Isso cria experiências mais precisas e reduz a dispersão de conteúdo no catálogo. Hoje, existem ferramentas que criam personas para auxiliar nessa triagem. O interessante é que já temos formas de capturar perfis de consumo e navegação dentro da Watch. Por conta da LGPD, são pesquisas baseadas em personas. O algoritmo desafia, captura o perfil e traz para dentro da plataforma. Isso permite a hiperpersonalização.
Fonte ==> Folha SP