O Rio Grande do Norte deve receber investimentos no valor de 2 bilhões de euros (cerca de R$ 12 bilhões) em um empreendimento que inclui produção de hidrogênio verde, energia eólica e solar formado por um consórcio de empresas do Brasil e da Alemanha.
O anúncio foi feito nesta terça-feira (21) na Hannover Messe, a feira industrial de Hanôver, na Alemanha, no estande da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), que lidera a participação do Brasil como país homenageado em 2026.
Chamado de Morro Pintado, o projeto fica na cidade de Areia Branca, no litoral norte do Rio Grande do Norte, e recebeu licença ambiental prévia do governo do estado para sua instalação. O diretor-presidente da Brazil Green Energy, Fernando Luiz Vilela, afirmou que, com a licença prévia, o consórcio de empresas avança para levantar os recursos.
O projeto transforma o hidrogênio verde em amônia verde, para ser exportado para a Alemanha, onde pode ser transformado de volta em hidrogênio. A amônia também pode ser utilizada para a produção de fertilizantes. O empreendimento inclui um terminal portuário para escoamento da produção.
De acordo com Viela, mais de 20 bancos têm interesse na iniciativa e já há conversas com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) ser um dos financiadores.
“Com a licença prévia, a gente desencadeia o processo de buscar o funding para o projeto. Nós vamos montar uma estrutura de financiamento, é uma engenharia financeira bem complexa.”
Em paralelo à busca por recursos, o consórcio de empresas também precisa garantir que o investimento será viável financeiramente. Para isso, participa de um mecanismo no âmbito da União Europeia chamado de H2Global, uma espécie de leilão entre compradores e vendedores. A estrutura permite mitigar, para compradores, o custo maior do hidrogênio verde em relação às alternativas intensivas em carbono, via financiamento público.
Mais de 20 pessoas participaram da cerimônia no palco do estande da ApexBrasil na feira de Hanôver, em um anúncio celebrado com pompa pelo presidente da agência, Laudemir Müller.
“Este é um exemplo concreto do que o Brasil é capaz de fazer. Vamos usar nossa energia limpa que tem no Nordeste. Vamos ter hidrogênio para exportar e consumir internamente e amônia vai servir de fertilizante. Vamos produzir energia limpa e sustentável e comida”.
Uma das empresas do consórcio é a thyssenkrupp uhde GmbH, subsidiária do grupo alemão especializada na construção de plantas químicas. Diretor de desenvolvimento estratégico de negócios da empresa, Sven Mueller-Rinke diz que o projeto está avançado e bem estruturado.
“Vemos muitos anúncios de projetos verdes que não se concretizam, mas este é um investimento grande e organizado”, afirma.
* Os repórteres viajaram a convite da Apex Brasil
Fonte ==> Exame