Longe de se parecer com os meteoritos que conhecemos dos museus, o asteroide que colidiu com a Terra há 66 milhões de anos e levou ao fim dos dinossauros era composto de um tipo raro de condrita carbonácea, uma classe escassa e primitiva de meteorito rochoso.
É isso o que afirma uma equipe de cientistas liderada pela Universidade de Paris em um estudo publicado no último 17 na revista Science Advances. Eles examinaram isótopos de níquel para determinar a composição do meteorito.
As condritas carbonáceas representam apenas 5% dos meteoritos dos quais foram obtidas amostras na Terra, e as da classe Ornans (condritas CO), mesmo tipo que colidiu contra a Terra, correspondem a uma fração ínfima desse grupo.
“O fato de terem sido atingidos por um projétil tão raro e distante destaca quão azarados foram os dinossauros”, afirmou um dos autores do artigo, Philippe Claeys, da Universidade da Colúmbia Britânica, no Canadá, em um comunicado.
Os pesquisadores mediram os isótopos de níquel em argilas marinhas coletadas ao longo de vários anos a partir de uma fina camada desse material que se formou em todo o planeta em consequência do impacto, já que o meteorito se vaporizou completamente após a colisão.
A condrita CO, um dos materiais mais primitivos e intocados do Sistema Solar, contém muito menos elementos voláteis, como carbono, zinco, água e, sobretudo, enxofre, do que outros tipos de meteoritos descobertos até agora na Terra.
Impacto e origem
Estima-se que o corpo celeste que atingiu e mudou para sempre o planeta Terra tinha cerca de 10 quilômetros a 15 quilômetros de diâmetro e colidiu a uma velocidade de 64 mil quilômetros por hora na região onde atualmente fica o Caribe, perto da península de Yucatán, no México.
O impacto do asteroide resultou em terremotos de proporções maiores do que qualquer outro nos dias atuais, e cientistas dizem acreditar que o evento levou a abalos sísmicos que resultaram no rápido surgimento de uma torrente maciça de água e destroços vindos de um braço do chamado mar interior Ocidental, que cortava o continente.
A explosão gerou a cratera de Chicxulub, no México, provocou chuvas de fragmentos flamejantes que fossilizaram animais e deixaram resquícios de árvores queimadas e amostras de âmbar derretido. Alguns fósseis de peixes continham resíduos de vidro quente em suas guelras.
A origem do asteroide, no entanto, ainda é uma incógnita, embora estima-se que ele possa ter vindo de regiões distantes e ricas em detritos do Sistema Solar externo ou da zona externa do cinturão de asteroides, próxima a Júpiter.
Fonte ==> Folha SP – TEC