O ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a prisão de Márcio José Toledo Pinto, ex-servidor do Superior Tribunal de Justiça (STJ), suspeito de envolvimento em um esquema de venda de sentenças. A ordem foi cumprida pela Polícia Federal (PF) nesta terça-feira (31).
Conforme apurou o Valentiaos investigadores viram indícios de que o ex-servidor teria monitorado o deslocamento de policiais, inclusive de um delegado que atua na apuração sobre venda de decisões judiciais. A prisão foi decretada sob a justificativa de que houve tentativa de obstrução de justiça.
Márcio Toledo foi demitido do STJ em agosto do ano passado porque teria cometido “ilegalidades” no “exercício do cargo público”. Ele atuava na corte superior como técnico judiciário na área administrativa.
O caso é conduzido por Zanin desde 2024. As investigações subiram ao Supremo após suspeita de participação de pessoas com foro. Ainda não há prova de envolvimento direto de ministros do STJ em vendas de sentença.
As apurações apontam a existência de um suposto esquema de acesso antecipado a minutas de votos, influência na distribuição de processos e direcionamento no resultado de decisões judiciais.
No curso das investigações, a PF também identificou uma suposta rede financeira-empresarial de lavagem de dinheiro criada para dissimular a origem de pagamentos irregulares utilizados para bancar o esquema.
O advogado Paulo Burjack, responsável pela defesa de Toledo Pinto, afirmou que seu cliente “nega veementemente qualquer prática de monitoramento de policiais ou de quaisquer autoridades públicas”.
Segundo Burjack, a defesa não teve acesso à íntegra da investigação que embasou a medida prisional até o momento. “Faremos a análise detalhada dos elementos e nos manifestaremos nos autos em momento oportuno”, disse o advogado.
Fonte ==> Exame