Empresas do setor de painéis solares na China estão lutando para gerar lucros num momento de supercapacidade após o crescimento das exportações impulsionado por subsídios.
A Jinko Solar, maior fabricante de painéis do mundo, registrou receita de 12,2 bilhões de yuans (US$ 1,8 bilhão) no primeiro trimestre de 2026, uma queda de 12% em relação ao ano anterior, com um prejuízo líquido de 1,3 bilhão de yuans. Todas as cinco principais empresas chinesas do setor registraram prejuízo, com perdas líquidas combinadas totalizando 7 bilhões de yuans.
A Longi Green Energy Technology viu seus custos superarem a receita, resultando em uma margem de lucro bruto negativa no primeiro trimestre. A Jinko Solar e a Trina Solar conseguiram obter pequenos lucros brutos, mas insuficientes para cobrir os custos fixos. O setor está em crise, produzindo sem gerar lucro.
A China considera veículos elétricos, baterias de lítio e células solares como o novo trio principal de categorias de exportação, substituindo vestuário, móveis e eletrodomésticos. As empresas chinesas conquistaram cerca de 80% do mercado mundial de painéis solares, vencendo a competição global — ou talvez vencendo de forma excessiva. Encorajadas por subsídios governamentais e outras formas de apoio, as empresas aumentaram os investimentos para expandir a capacidade de produção, resultando em um excesso de oferta.
Somente os cinco maiores fabricantes de painéis têm uma capacidade anual estimada em 500 gigawatts. A indústria chinesa como um todo tem uma capacidade de 1 mil GW, segundo a mídia local — de 1,5 a 2 vezes a capacidade instalada global, que varia de 500 GW a 700 GW por ano.
Esse excesso de oferta levou ao colapso dos preços dos painéis, que caíram cerca de 60% em relação ao pico de 2021, de acordo com a empresa de pesquisa CEIC. Os preços do polissilício, uma matéria-prima, despencaram cerca de 85% em relação ao pico de 2022.
O problema não se resume apenas à oferta. A demanda interna por células solares na China deverá cair em 2026 pela primeira vez na história, prevê a Soochow Securities. Dados do governo mostram que a instalação de painéis atingiu apenas 50,9 GW nos primeiros quatro meses deste ano, uma queda de cerca de 50% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Com o mercado interno em retração, a única opção para os fabricantes é vender mais no exterior. A China vinha reembolsando as empresas pelo imposto sobre valor agregado (IVA) nas exportações de painéis, efetivamente fornecendo subsídios. Isso impulsionou as remessas para o exterior, com os volumes de exportação mais que triplicando entre 2020 e 2024, segundo o governo.
Mas as autoridades chinesas se preocuparam com a concorrência excessiva e reduziram as taxas de reembolso de impostos. O reembolso sobre os painéis foi totalmente eliminado em abril. Espera-se que isso leve naturalmente a um aumento nos preços dos painéis exportados.
Ainda assim, mesmo com a expectativa de preços mais altos, as ações dos fabricantes têm apresentado desempenho fraco. As ações da Jinko Solar caíram 17% desde o final de março, enquanto as da Longi Green Energy despencaram 25%.
“As empresas chinesas vêm aprimorando sua tecnologia e têm potencial para recuperar o ritmo quando surgir a oportunidade certa”, afirmou Yoichiro Okuyama, do Instituto de Pesquisa Hamagin, no Japão.
Uma tecnologia promissora são as células solares de perovskita, que são finas e leves, podendo ser instaladas em diversos locais. Muitas empresas apresentaram seus produtos mais recentes na Conferência e Exposição Internacional de Geração de Energia Fotovoltaica e Energia Inteligente da SNEC, que começou em 3 de junho em Xangai. Essa é a área na qual concorrentes japonesas, como a Sekisui Chemical, também estão focando.
Fonte ==> Exame