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Explosão da Blue Origin atrasa ambições lunares dos EUA – 31/05/2026 – Mensageiro Sideral

Explosão da Blue Origin atrasa ambições lunares dos EUA - 31/05/2026 - Mensageiro Sideral

A tentativa americana de mostrar progresso para o desenvolvimento de sua base lunar não durou uma semana, detonada pela explosão intempestiva do foguete New Glenn, da empresa Blue Origin, durante um teste na noite de quinta-feira (28).

O cabum que aconteceu na plataforma 36A da Estação da Força Espacial de Cabo Canaveral, na Flórida, felizmente não deixou vítimas, mas tem sido descrito como a explosão mais espetacular de um foguete desde o N1, superfoguete soviético desenvolvido para missões lunares tripuladas, que explodiu logo após o lançamento em 3 de julho de 1969, obliterando a plataforma e acabando ali com qualquer esperança de que a União Soviética pudesse competir com os Estados Unidos na corrida para a Lua.

Aquele era o segundo voo de teste do N1 —o foguete ainda faria outros dois depois do acidente, todos fracassados. É diferente do New Glenn, lançador que já havia realizado três voos, dois bem-sucedidos e um parcialmente bem-sucedido. Mas o impacto da falha, ainda que o projeto se mostre recuperável, é devastador.

Para começar, a explosão danificou seriamente a plataforma de lançamento. Entendidos estimam que ela não possa ser reconstruída em menos de 15 meses. A Blue Origin tem planos para construir outro pad para o New Glenn na plataforma 36B e um em Vandenberg, na Califórnia, mas esses projetos estão nos estágios iniciais. Não está claro agora se seria mais rápido reparar o 36A ou construir do zero um desses outros. De toda forma, não será rápido.

Com isso, não haverá tão cedo um novo lançamento do foguete —além de recuperar a plataforma, a Blue Origin precisa descobrir o que houve de errado com ele e corrigir o problema antes de retornar aos voos. E claro que a missão robótica Moon Base 1, da Nasa, que envolveria o lançamento de um módulo lunar Blue Moon Mark 1 impulsionado por um New Glenn, agora subiu no telhado. Quer dizer, ainda deve acontecer —o módulo está em fase final de preparação para voar—, mas não será nos próximos três ou quatro meses, como anunciara a agência espacial. Pode nem acontecer em 2027, dependendo do tempo que levar para a Blue Origin se reerguer deste que foi seu maior acidente desde a fundação, em 2000.

A solução de remendo seria renumerar as missões Moon Base 2 e 3, mas ambas, a serem lançadas pela Astrobotic e pela Intuitive Machines até o fim deste ano, são muito mais modestas que a da Blue Origin, com seu módulo lunar Mark 1 (não tripulado) que é maior que os do antigo programa tripulado Apollo. A empresa, que havia sido contratada pela Nasa para levar dois rovers à Lua em 2028, terá dificuldades em cumprir esse cronograma também.

Isso sem falar de que as missões Artemis 3 e Artemis 4 contavam com módulos Blue Moon Mark 2, para transporte de tripulação, para 2027 e 2028. Não parece crível que eles estejam disponíveis nas datas esperadas, dadas as dificuldades impostas pelo acidente. O que deixará a Nasa totalmente dependente da SpaceX, com seu Starship, que também tem muito a provar antes que possa servir às ambições lunares americanas.

Se a China já começava a despontar como favorita antes da explosão do New Glenn, agora as coisas ficam ainda mais complicadas para os Estados Unidos nessa nova corrida lunar do século 21.



Fonte ==> Folha SP – TEC

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