A empresa israelense de infraestrutura blockchain Fireblocks planeja expandir sua atuação no Brasil com a entrada em vigor da regulamentação de criptoativos do Banco Central (BC). Especializada em custódia de ativos digitais, a companhia está atenta à entrada de bancos, instituições financeiras, provedores de pagamentos e fintechs no mundo das criptomoedas e tokenização.
Jorge Borges, head de vendas e desenvolvimento estratégico de negócios da Fireblocks, diz que a empresa triplicou seu número de funcionários no Brasil, saindo de cinco para 16 pessoas do último ano até agora.
O crescimento está ligado à expectativa de se atender a um número maior de empresas, pois com as novas regras valendo, aumenta a segurança regulatória para atuar neste mercado. Além disso, como é um segmento recente e complexo em termos de tecnologia, muitos precisarão contratar serviços de infraestrutura especializados para adotá-lo.
“Nós somos um provedor de tecnologia para a custódia, então podemos ajudar os custodiantes em qualquer instituição, não só bancária”, explica Borges. De acordo com o executivo, já se vêem grandes instituições financeiras envolvidas com blockchain, enquanto as fintechs avançam de maneira rápida e o mundo cripto cresce na construção de produtos e adoção.
O objetivo, segundo ele, é atender por exemplo na chamada tokenização de ativos reais, que ocorre quando um produto tal qual uma debênture, recebível ou fundo é registrado em blockchain. Operações assim reduzem o número de intermediários ao automatizar processos, o que acaba diminuindo custos. Para especialistas, essa eficiência maior fará com que o sistema financeiro eventualmente rode em blockchain no mundo todo.
A Fireblocks possui mais de 150 clientes na América Latina, sendo que perto de 40% deles estão no Brasil. Dentre eles estão o Nubank e o BTG Pactual, algumas das instituições tradicionais com maior presença no mundo cripto.
Para Borges, o mercado de criptoativos, por mais que impressione com os quase US$ 2,5 trilhões de capitalização, ainda está longe de atingir todo o seu potencial. “Isso é só metade do mercado imobiliário de Nova York, por exemplo”, destaca.
Ele acredita que, no futuro, não serão só instituições financeiras que vão oferecer cripto. “A ideia é que a blockchain vire uma interface para tokenizar produtos de todo o tipo”, defende. “O potencial é muito grande, mas o mercado incumbente não vai pular de cabeça nos casos de uso mais arriscados. Vai começar com a tokenização de colateral e Tesouro.”
Fonte ==> Exame