Em um ambiente marcado pela incerteza sobre receitas, a gestão eficiente do capital de giro deixou de ser apenas uma boa prática financeira para se tornar um fator decisivo de competitividade entre as empresas brasileiras. Mais do que acessar crédito, essas companhias precisam organizar fluxos de caixa, estruturar recebíveis e integrar decisões comerciais e financeiras para sustentar o crescimento com previsibilidade.
Segundo o dado mais recente do Indicador de Demanda das Empresas por Crédito, da Serasa Experian, a busca por financiamento cresceu 15,5% em setembro de 2025, em comparação ao mesmo mês do ano anterior. No acumulado de 12 meses, a alta foi de 5,9%, sinalizando uma aceleração consistente da demanda por crédito. O avanço reflete, sobretudo, a necessidade das empresas de recompor capital de giro em um cenário de custos financeiros elevados e desaceleração econômica, que afeta expectativas de receita.
Ao contrário das grandes corporações, que contam com maior acesso ao mercado de capitais e estruturas mais robustas de proteção, as médias operam em um território mais sensível a oscilações de fluxo de caixa. “Muitas vezes, a empresa média pode colapsar pelo descasamento de caixa, não por falta de lucro. No estágio de crescimento, a gestão eficiente do capital de giro é uma questão de sobrevivência”, explica Fábio Villa, diretor comercial do Itaú BBA responsável por middle market, corporate banking, multinacionais e tech companies.
CONSULTORIA PERSONALIZADA
Um dos pontos de auxílio oferecido pelo Itaú BBA está no diagnóstico profundo da tesouraria do cliente, com análise de fluxos financeiros, governança e modo de operação. O objetivo é oferecer benchmarking setorial e sugestões que otimizem processos antes mesmo de se falar em produtos financeiros. “A gestão de capital de giro é o que garante que a empresa consiga operar com tranquilidade no dia a dia”, afirma Michel Cury, diretor de produtos e garantias do Itaú Unibanco.
Após uma avaliação minuciosa, o banco apresenta as soluções mais adequadas à realidade de cada cliente, apoiado em um portfólio amplo, capaz de atender às diferentes necessidades de empresas de diversos portes — inclusive as maiores do país. Segundo Davi Faleiros, diretor de corporate finance e meios de pagamento do Itaú BBA, essa abrangência permite democratizar o acesso a soluções antes restritas a grandes conglomerados, adaptando-as à realidade da média empresa. A atuação, conforme ele ressalta, é agnóstica e orientada pelas necessidades do cliente. “Como um banco universal, temos todos os produtos na prateleira. Isso nos dá a capacidade de oferecer a melhor solução para cada jornada específica do cliente”, afirma.
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RECEBÍVEIS COMO EIXO DA LIQUIDEZ
No centro dessa estratégia estão os recebíveis — o direito de a empresa receber por bens entregues ou serviços prestados a prazo. Eles são uma das principais engrenagens do capital de giro e podem ser utilizados tanto para liquidez de curto prazo, por meio do desconto, quanto como garantia para financiamentos mais longos.
Segundo Villa, esse mercado passou por um processo acelerado de sofisticação nos últimos anos no país. “Hoje, é muito mais fácil acessar crédito com recebíveis do que sem eles. Talvez essa seja uma das garantias mais líquidas e, portanto, é a forma mais rápida que o mercado conhece”, afirma. A evolução de instrumentos como os Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) ampliou o acesso, inclusive, para empresas menores com condições mais competitivas de custo e escala.
Ainda assim, muitas empresas seguem operando de forma pouco integrada, vendendo a prazo sem incorporar o custo financeiro ao preço final ou padronizando prazos (30, 60, 90 dias) sem uma estratégia clara. “A venda e a gestão financeira precisam conversar mais. É possível estruturar ofertas à vista com desconto, usar meios de pagamento mais eficientes ou financiar clientes e fornecedores de forma estratégica”, diz Villa. Para ele, integrar decisões comerciais e financeiras é um passo fundamental para reduzir a pressão sobre o caixa.
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É nesse ponto que a modernização dos instrumentos financeiros ganha relevância. A duplicata escritural surge como um avanço importante para dar mais segurança ao sistema. “Com a duplicata escritural, o mercado passa a operar com uma infraestrutura comum, que eleva o nível de segurança e facilita a concorrência”, explica Cury. A possibilidade de aceite sistêmico do devedor e de dar publicidade aos recebíveis tende a atrair mais financiadores e ampliar o acesso ao crédito.
Em fase adiantada de desenvolvimento, a duplicata escritural começará a ser implementada por etapas a partir de janeiro de 2027, inicialmente com empresas que faturam acima de R$ 300 milhões. Segundo Cury, o Itaú BBA tem participado ativamente desse processo, atuando como articulador do ecossistema, ao promover encontros com clientes, registradoras e demais agentes do mercado para explicar as mudanças e acelerar o aprendizado coletivo.
O banco também trabalha na frente de conectividade para apoiar as empresas na integração de seus sistemas de gestão às novas jornadas de pagar e receber e na preparação operacional para o registro e o aceite das duplicatas.
O objetivo, segundo o diretor de produtos e garantias, é ajudar a construir um sistema de crédito mais robusto, capaz de sustentar o crescimento das empresas médias e fortalecer o setor produtivo do país. “Estamos falando de um mercado que liquida aproximadamente R$ 11 trilhões em duplicatas ao ano. Ao organizar esse ecossistema, dar mais segurança e atrair mais players, todo mundo ganha: quem empresta, quem toma o recurso e o ambiente de negócios como um todo”, conclui o executivo.
Fonte ==> Exame