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Homossexualidade em animais pode ter raiz evolutiva – 14/01/2026 – Ciência

Homossexualidade em animais pode ter raiz evolutiva - 14/01/2026 - Ciência

A homossexualidade em primatas não humanos pode ter raízes evolutivas profundas e é mais provável que ocorra em espécies que habitam entornos hostis, sob ameaças de predadores ou que vivem em estruturas sociais mais complexas.

A conclusão consta de uma pesquisa que saiu no periódico Nature Ecology & Evolution na última segunda-feira (12).

“A diversidade de comportamentos sexuais é muito comum na natureza, entre espécies e nas sociedades animais. É tão importante quanto cuidar das crias, combater um predador ou buscar alimento”, afirmou à AFP o biólogo Vincent Savolainen, principal autor do estudo.

Já foram documentadas interações sexuais entre indivíduos do mesmo sexo em mais de 1.500 espécies de animais. Mas, segundo o biólogo, o tema frequentemente ainda é visto de forma anedótica, sendo considerado um paradoxo darwiniano, visto que a evolução se baseia na transmissão de genes por meio da reprodução.

Estudos recentes sugeriram que o comportamento pode envolver uma vantagem evolutiva. Um dos exemplos são os macacos rhesus, estudados por Savolainen. Em uma ilha em Porto Rico, os machos que mantêm relações sexuais entre si podem formar coalizões, o que talvez lhes permitiria ter acesso a mais fêmeas e, assim, ter mais filhotes.

Para a nova pesquisa, Savolainen e sua equipe revisaram publicações científicas e compilaram os dados sobre 491 espécies de primatas não humanos. Em 59 delas, 12% do total, foi identificado comportamento homossexual, com maior recorrência em 23. Entre elas estão o sagui-de-tufo-branco, o gorila-do-ocidente, o macaco-japonês, o bonobo e o chimpanzé.

O resultado, segundo os pesquisadores, sugere que o comportamento tem uma raiz evolutiva profunda. A equipe também analisou a influência do contexto ambiental, da história de vida (expectativa de vida e morfologia) e da organização social.

As interações entre indivíduos do mesmo sexo são mais frequentes em espécies que vivem em entornos difíceis, como recursos alimentares limitados, caso dos macacos-de-gibraltar, ou quando as estão expostas a um alto risco de predação.

Isso pode significar que o comportamento sexual ajuda a gerenciar as tensões dentro do grupo durante períodos de estresse.

Elas também ocorrem com mais frequência entre macacos nos quais machos e fêmeas têm grande diferença de tamanho, como os gorilas-das-montanhas. É preciso levar em conta que o dimorfismo sexual costuma estar associado a grupos sociais maiores, a uma intensa competitividade e a hierarquias estritas.

Os diferentes fatores interagem entre si: as características vitais são influenciadas pelas circunstâncias ambientais que, por sua vez, impactam na complexidade social, o que leva à existência de comportamentos sexuais entre indivíduos do mesmo sexo.

Segundo o novo estudo, os resultados sugerem que os comportamentos sexuais são uma “estratégia social flexível, utilizada para reforçar os vínculos sociais, gerenciar os conflitos ou construir alianças em função das pressões ecológicas e sociais”.

Os pesquisadores sugerem ainda que fatores similares poderiam ter ocorrido entre os ancestrais do ser humano. “Nossos antepassados sem dúvida tiveram que enfrentar as mesmas complexidades ambientais e sociais”, disse Savolainen. “Mas há coisas completamente próprias do ser humano, com uma complexidade de orientação sexual, da qual não nos ocupamos em absoluto.”



Fonte ==> Folha SP – TEC

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