O investimento estrangeiro direto no México atingiu um novo recorde histórico este ano, impulsionado não pela China, que ditou a tendência no passado, mas por empresas americanas atraídas pelos esforços de estados do norte, como Nuevo León.
O investimento estrangeiro direto de janeiro a setembro atingiu US$ 40,9 bilhões, um aumento de 14,5% em relação ao ano anterior e um recorde para o período pelo quinto ano consecutivo, segundo a Secretaria de Economia do México.
Os Estados Unidos foram responsáveis por quase 40% do total, com quase 90% provenientes de reinvestimento. Nuevo León ocupa o segundo lugar, com 10% do investimento, quando os dados são analisados por estado, atrás apenas da Cidade do México, que tem participação equivalente à dos estados, com 56%.
A China, que ocupou o décimo lugar entre os países em investimento direto no México no ano passado, caiu consideravelmente da lista dos dez primeiros no período de janeiro a junho deste ano. Embora alguns de seus investimentos passem pelas Ilhas Cayman e pelas Ilhas Virgens Britânicas, dificultando a apuração do valor real, os investimentos do país no México não têm o mesmo ímpeto de antes.
A região ao redor de Monterrey, capital de Nuevo León, possui a segunda maior economia do México. Antes do início do segundo mandato do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a região de Monterrey era um importante polo de atração para a indústria manufatureira chinesa.
Em 2022, o grupo chinês de máquinas de construção LGMG anunciou um investimento de US$ 140 milhões. A XCMG, outra empresa chinesa de máquinas de construção que entrou no estado no mesmo ano, afirmou que construiria uma segunda fábrica lá em 2024, com um investimento de US$ 80 milhões.
Nuevo León recebeu um investimento de US$ 1 bilhão para a construção de um grande centro de dados, conforme noticiado no mês passado. O governador do estado, Samuel García, chegou a publicar nas redes sociais que a Nvidia construiria a instalação, alegação negada pela empresa. Apesar da confusão inicial, os planos de investimento — da empresa mexicana Cipre Holdings — estão em andamento. Embora isso não seja contabilizado como investimento estrangeiro direto, é mais um sinal de que empresas estão se instalando em Monterrey.
A gigante americana de veículos elétricos Tesla também escolheu a região de Monterrey para a construção de sua planejada gigafábrica. Mas, após empresas chinesas — provavelmente fornecedoras — também decidirem se instalar na região, a situação mudou, pois Trump, que adotou uma postura linha-dura contra a China, saiu vitorioso nas eleições presidenciais americanas do ano passado.
O executivo-chefe (CEO) da Tesla, Elon Musk, acreditando que Trump, crítico dos veículos elétricos, havia assumido a liderança nas eleições, congelou a construção da gigafábrica.
Nuevo León criou um escritório responsável por investimento estrangeiro, inovação tecnológica, inteligência artificial e outras áreas, e está trabalhando ativamente para atrair empresas de inteligência artificial e outras tecnologias. A posição do estado no ranking de investimentos do país, que caiu para o quarto lugar em 2024, está se recuperando.
O governo Trump ainda está isentando de tarifas as importações que estejam em conformidade com o Acordo Estados Unidos-México-Canadá (USMCA). A taxa tarifária efetiva sobre produtos mexicanos, que poderia ter chegado a 25%, está estimada em uma média de cerca de 10%.
O governo dos Estados Unidos, que repetidamente adiou a imposição e o aumento de tarifas, e o governo mexicano parecem estar próximos de um acordo final. Mas muitos acreditam que a atenção de Trump se voltou para a revisão do USMCA, prevista para começar em julho.
A Câmara de Comércio do Japão no México inaugurou uma nova filial em Nuevo León, a terceira no país. Monterrey “não está olhando para a capital (Cidade do México), está olhando para o norte, para os Estados Unidos”, disse um executivo do grupo.
Monterrey também está se beneficiando de um impulso adicional na atração de investimentos. Foi escolhida como uma das três cidades do México para sediar conjuntamente a Copa do Mundo de Futebol 2026, com três países-sedes: Canadá, Estados Unidos e México.
Fonte ==> Exame