O Irã permitirá que petroleiros com bandeira da Índia transitem pelo Estreito de Ormuz, rota por onde passam cerca de 40% das importações de petróleo bruto do país, de acordo com uma fonte do governo indiano. No entanto, uma fonte iraniana fora do país negou que qualquer acordo desse tipo tenha sido fechado.
A Índia, terceira maior consumidora de petróleo do mundo, afirmou nesta quinta-feira que os ministros das Relações Exteriores dos dois países tiveram três conversas nos últimos dias, e que a mais recente, nesta semana, se concentrou em “questões relacionadas à segurança da navegação e à segurança energética da Índia”.
“Além disso, seria prematuro para mim dizer qualquer coisa”, disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Randhir Jaiswal, em coletiva de imprensa semanal.
A fonte indiana, que foi informada sobre o assunto, recusou-se a ser identificada, citando falta de autorização para falar com a imprensa. Já a fonte iraniana afirmou que o tema é sensível.
Nesta quinta-feira, o petroleiro do tipo Suezmax Shenlong, carregando petróleo da Arábia Saudita, chegou a um porto em Mumbai após transitar pelo estreito. A embarcação, registrada na Libéria, foi o primeiro navio transportador de petróleo bruto a chegar à Índia vindo do Oriente Médio desde que a guerra entre Irã, Estados Unidos e Israel começou no fim de fevereiro, segundo dados da Bolsa de Valores de Londres (LSEG).
O comprador da carga é a estatal indiana Bharat Petroleum, afirmou uma fonte com conhecimento direto do assunto. A empresa não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.
A fonte indiana disse que outros dois petroleiros com bandeiras estrangeiras, que se acredita estarem a caminho da Índia, também passaram recentemente pelo Estreito de Ormuz, e que o Irã deu garantias de passagem segura para navios com bandeira indiana depois que os ministros das Relações Exteriores dos dois países conversaram por telefone na noite de terça-feira.
A fonte acrescentou que a situação continua instável, com pouca clareza sobre como as instruções estão sendo transmitidas entre os diferentes níveis da administração iraniana.
Em comunicado após as conversas entre o chanceler indiano Subrahmanyam Jaishankar e seu homólogo iraniano Seyed Abbas Araghchi, o Ministério das Relações Exteriores do Irã afirmou que os Estados Unidos deveriam ser responsabilizados pela “situação insegura e pelos problemas causados à navegação no Golfo Pérsico”.
Nenhum dos dois lados mencionou qualquer acordo para permitir a passagem segura de navios indianos.
Na quarta-feira, a Índia informou que 28 embarcações com bandeira indiana operavam a oeste e a leste do estreito, com 778 marinheiros indianos a bordo.
“Autoridades, administradores de navios e agências de recrutamento estão coordenando estreitamente com as embaixadas indianas e autoridades locais para garantir a segurança e prestar assistência aos marinheiros indianos”, afirmou o Ministério do Petróleo da Índia em comunicado.
Índia abriga marinheiros iranianos
A Índia concedeu abrigo seguro a 183 marinheiros iranianos de uma embarcação que atracou após o início da guerra entre Irã, EUA e Israel.
Nova Déli havia permitido que três navios iranianos, que haviam partido após um exercício naval na Baía de Bengala, atracassem. Um deles, porém, foi posteriormente afundado por um submarino americano em águas internacionais, e outro buscou assistência no Sri Lanka.
O Irã já atacou ao menos 16 navios no Estreito de Ormuz desde o início da guerra no final de fevereiro. Teerã advertiu que os preços do petróleo podem quase dobrar para 200 dólares por barril como parte de sua retaliação.
Um navio da Tailândia com destino ao porto indiano de Kandla, no oeste da Índia, foi atacado no estreito na quarta-feira, provocando críticas de Nova Déli.
“A Índia deplora o fato de que a navegação comercial esteja sendo alvo de ataques militares no conflito em curso”, afirmou o Ministério das Relações Exteriores na quarta-feira, acrescentando que cidadãos indianos também morreram.
O quase fechamento do Estreito de Ormuz obrigou a Índia a buscar alternativas com urgência, como aumentar as compras de petróleo da Rússia.
Fonte ==> Exame