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Lagarde diz que mundo entra em era de ‘incerteza genuína’ e defende cooperação global | Finanças

Presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde — Foto: Alex Kraus/Bloomberg

UM presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagardeafirmou que o mundo deixando para trás um período em que os riscos podiam ser medidos e entrando em uma era de verdadeira incerteza, marcada por transformações tecnológicas rápidas e crescente fragmentação geopolítica. Para lidar com esse ambiente, Lagarde defendeu uma estratégia baseada em cooperação internacional.

“A característica definidora deste momento não é simplesmente o aumento dos riscos. É o fato de estarmos deixando um mundo em que os riscos podiam ser medidos e modelados e entrando em um cenário de incerteza genuína”, disse Lagarde em discurso ao participar de um evento em Bolonha, na Itália.

Nas últimas décadas, afirmou Lagarde, a economia mundial operou em um sistema relativamente estável, com comércio global regido por regras multilaterais e políticas monetárias previsíveis, o que permitia aos formuladores de políticas usar dados históricos para estimar riscos. No entanto, choques recentes, como a pandemia, a guerra na Ucrânia e o aumento de tensões comerciais, estão alterando a própria estrutura da economia global.

Ao mesmo tempo, afirmou Lagarde, estamos testemunhando a mudança tecnológica mais significativa desde a eletrificação. A inteligência artificial (IA) pode elevar significativamente o crescimento da produtividade, enquanto a fragmentação do comércio e das cadeias globais de suprimento pode reduzir o potencial econômico mundial. “A dependência dessa tecnologia em relação à integração global é tão fundamental que a fragmentação começaria a enfraquecê-la quase imediatamente.”

Neste contexto, a presidente do BCE ressalta a importância de reformar as instituições globais. “O sistema multilateral tem falhas reais”, disse. “Mas a resposta é corrigir as regras, não abandonar o sistema.” Além disso, é preciso uma cooperação mais profunda entre aliados, e uma cooperação mínima viável com rivais. “Em um mundo que está se fragmentando, o ato mais importante de gestão de riscos é preservar as conexões essenciais”, conclui.

Presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde — Foto: Alex Kraus/Bloomberg



Fonte ==> Exame

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